domingo, 16 de dezembro de 2007

A importancia da Memória



Essa semana terminei minha pesquisa no Memoria Abierta, uma associação argentina que procura manter a memoria sobre o sombrio período da última Ditadura Militar naquele paí, entre 1976 e 1983, no qual os números estimados são de 30.000 desaparecidos forçados, além de muitos assassinatos, torturas e exílios.

A proposta do Memoria Abierta, de acordo com a própia página deles é:

Memoria Abierta, Acción Coordinada de Organizaciones argentinas de Derechos Humanos, trabaja para aumentar el nivel de información y conciencia social sobre el terrorismo de Estado y para enriquecer la cultura democrática. Uno de nuestros principales objetivos es lograr que todo registro de lo ocurrido durante la última dictadura militar y sus consecuencias sea accesible y sirva a los fines de la investigación y educación de las futuras generaciones.


O trabalho deles é impressionante, com mais de 600 entrevistas que estão disponíveis para o público -algumas são limitadas pelos própios entrevistados- e inclusive usadas nos julgamentos contra os responsáveis, que estão em andamento no país nesse momento.

Estive lá durante 2 meses, uma experiência muito boa e emocionante. Chorei, ri, tive raiva... é impossível escutar essas histórias sem ter algum tipo de reação. Muitas vezes sai de lá tão triste e incoformada que me isolava, chorava e tinha pesadelos durante a noite. Teve até o dia que eu caí pelas escadas na hora de ir embora de tão distraída que eu tava. Eu passava em média 3,4 horas, 3 vezes por semana. Me envolvi nessas histórias quase como se fossem minhas.

Entre as coisas positivas ficam:

- Principalmente as pessoas que trabalham lá. Eles são uns amores, sempre me trataram com um carinho impressionante, muitas vezes vinham e me abraçavam quando viam que eu chorava ou estava impressionada com algo. Quando tinha festinha, eu ganhava bolo e tudo. Especialmente agradeço à Silvina, responsável pelo arquivo público, que sempre foi maravilhosa desde nosso primeiro contato por email.
- A ima
gem do Brasil. A solidariedade do povo brasileiro foi uma unanimidade. Eu tinha que escutar exilados que foram ou passaram pelo Brasil, e todos falavam bem dos brasileiros, de como foram ajudados. Mesmo aqueles que foram vítimas da Operação Condor.
- A busca
por justiça e memória. Não importa quanto tempo passou, muita gente continua lutando por justiça, sem descanso. O lema "Sin olvido y sin perdón" continua mais forte que nunca.



Um exemplo que deveria ser seguido pelo mundo todo.

Organizações que participam do Memoria Abierta:


domingo, 9 de dezembro de 2007

"E pela minha lei, a gente era obrigado a ser feliz"

Sei que a gravação é tosca, mas vale a pena pela explicação do Chico.

Quando eu era criança achava essa música tão linda que até usei parte dela em uma redação do colégio. Serve pra gente viajar muito... pensando em uma época linda, ou que talvez não foi tão linda, mas que está na nossa memória, e que dá muita saudade...

E que o homem lindo!!! :)

sábado, 8 de dezembro de 2007

Estudo, estudo e estudo! Muito estudo!


Amo, amo, amo!

Ausente do mundo virtual para dedicar-me à minha dissertação no mundo real... será que sai? Falta pouco!!!

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Sostenibilidad 2.0


Tá aí, lançamento super recomendado. Não só porque de alguma maneira eu faço parte (não participei do livro, mas há alguns meses tive o prazer de me unir a este grupo), mas porque foi após ler o livro que tive certeza: eu quero estar aí!

A melhor definição para o que é Odiseo acho que está no nosso blog:

Somos una consultora de comunicación especializada en nuevos medios. Nos preocupa el planeta, la gente y sus relaciones. Desde hace dos años, venimos investigando las tendencias globales en desarrollo sostenible, las acciones de las organizaciones ciudadanas que proponen nuevas soluciones a los problemas sociales y el surgimiento de la web 2.0. Elaboramos estrategias de comunicación para las empresas que quieren iniciar un nuevo diálogo con sus stakeholders a través de los nuevos medios participativos.


A partir dessa idéia que Ernesto Van Peorgh largou tudo e resolveu que tinha responsabilidade em mudar o mundo. E estamos juntos nessa mudança.

Não vou ficar contando muito pra não estragar a surpresa dessa ótima leitura (por enquanto só em espanhol), recém lançada com direito a entrevista em La Nación e tudo. O que quero contar aqui é como esse livro vai ser "publicado": não só em papel, mas também na web. Não só em uma página, mas também como um wiki-livro: sim, sim, como o wikipédia, você pode comentar, incluir, PARTCIPAR desse livro com a gente! Legal, né?

Então participe!!! Comente, passe pra frente, faça tudo que você quiser! Os novos meios e a web 2.0 estão aí pra isso, e através dela podemos mudar o mundo!

El viaje de Odiseo
Blog El viaje de Odiseo
Wiki-livro
Sostenibilidad 2.0

sábado, 1 de dezembro de 2007

Dia mundial de luta contra a AIDS


"... cada vez que conhecermos alguém, seja ela ou ele, branco, preto, amarelo, vermelho, gordo, magro, feio, bonito, homossexual, alto, careca, gago, adotado, anão, com AIDS, sem AIDS, rico, pobre, cabeludo, fanho, cego, corcunda, excepcional, vesgo, inteligente, olhos puxados, olhos azuis, palestino, árabe, superdotado, hemofílico, bicho-grilo, miserável, graduado, travesti, sem-terra, empregado, patrão, prostituta, enfermeira, médico, novo, velho, tatuado, surdo, paraplégico, mudo, ignorante... nos lembraremos de que, antes de tudo isso, é apenas uma pessoa." Trecho de Depois daquela viagem, de Valeria Polizzi





"Transformar o 1º de dezembro em Dia Mundial de Luta Contra a Aids foi uma decisão da Assembléia Mundial de Saúde, em outubro de 1987, com apoio da Organização das Nações Unidas – ONU. A data serve para reforçar a solidariedade, a tolerância, a compaixão e a compreensão com as pessoas infectadas pelo HIV/aids. A escolha dessa data seguiu critérios próprios das Nações Unidas. No Brasil, a data passou a ser adotada, a partir de 1988, por uma portaria assinada pelo Ministério da Saúde." http://www.uff.br/dst/bemfam.htm



"Era noite, verão, e estava quente. Peguei o elevador que não parava de subir e fui até o topo. No meio do caminho já começava a me arrepender. Se é coisa que me dá gelo na barriga é altura. E aquela droga de prédio tinha mais de cem andares.Mas chegando lá em cima não voltaria atrás.Tomei coragem e fui até a beirada onde vários outros turistas se debruçavam olhando a vista estupefatos e fazendo comentários nas mais diversas línguas. Ventava frio, e do parapeito onde me encostei, olhando pra frente, se via uma névoa fina que cobria o céu. Respirei fundo e olhei para baixo, e foi aí que eu vi, lá, muito longe, a cidade na qual eu estava. Os prédio pequenos, as casas minúsculas, os carros microscópicos... e as pessoas? As pessoas, não dava para vê-las. E foi aí que eu percebi o quão pequenos nós somos. In-sig-ni-fi-can-tes! Comecei a rir. Ri de todos os meus
problemas. Ri de todos os meus medos. Ri dos meus sonhos e dos sonhos de todo o mundo. Ri de mim mesma. E ri de toda humanidade. E continuei a rir. Ri tanto que joguei a cabeça para trás e, sem pensar, dei de cara com o céu e aí comecei a imaginar
Deus sentado lá em cima olhando pra baixo. O que é que ele veria de tão alto? Ele não veria nada. Não enxergaria ninguém. Quase chorei." - Outro trecho do livro de Valéria. Vale a pensa ler.




sexta-feira, 30 de novembro de 2007

El derecho de soñar


Esse texto serve de inspiração em praticamente tudo o que eu faço na minha vida.

Nesse momento em que cada vez mais me vejos metida em questões como Direitos Humanos, Desenvolvimento Sustentável, Justiça e todas essas coisas que para muitos parecem sonhos, acho que vale a pena publicar as palavras de Galeano e reafirmar nosso "direito de sonhar"



El derecho de soñar

de Eduardo Galeano
escritor uruguayo

Vaya uno a saber cómo será el mundo más allá del año 2000. Tenemos una única certeza: si todavía estamos ahí, para entonces ya seremos gente del siglo pasado y, peor todavía, seremos gente del pasado milenio.

Sin embargo, aunque no podemos adivinar el mundo que será, bien podemos imaginar el que queremos que sea. El derecho de soñar no figura en los treinta derechos humanos que las Naciones Unidas proclamaron en 1948. Pero si no fuera por él, y por las aguas que da de beber, los demás derechos se morirían de sed.

Deliremos, pues, por un ratito. El mundo, que está patas arriba, se pondrá sobre sus pies.


* En las calles, los automóviles serán pisados por los perros.


* Los cocineros no creeerán que a las langostas les encanta que las hiervan vivas.


* La policía no será la maldición de quienes no puedan comprarla.


El aire estárá limpio de los venenos de las máquinas, y no tendrá más contaminación que la que emana de los miedos humanos y de las humanas pasiones.


* Los historiadores no creerán que a los países les encanta ser invadidos. Los políticos no creerán que a los pobres les encanta comer promesas.


* La justicia y la libertad, hermanas siamesas condenadas a vivir separadas, volverán a juntarse, bien pegaditas, espalda contra espalda.


* La gente no será manejada por el automóvil, ni será programada por la computadora, ni será comprada por el supermercado, ni será mirada por el televisor.


* El mundo ya no estará en guerra con los pobres, sino contra la pobreza, y la industria militar no tendrá más remedio que declararse en quiebra por siempre jamás.


* Una mujer, negra, será presidente de Brasil y otra mujer, negra, será presidente de los Estados Unidos de América.
Una mujer india gobernará Guatemala y otra, Perú.


* El televisor dejará de ser el miembro más importante de la familia, y será tratado como la plancha o el lavarropas.


* Nadie morirá de hambre, porque nadie morirá de indigestión.


* En Argentina, las locas de la Plaza de Mayo serán un ejemplo de salud mental, porque ellas se negaron a olvidar en los tiempos de la amnesia obligatoria.


* La gente trabajará para vivir, en lugar de vivir para trabajar


* Los niños de la calle no serán tratados como si fueran basura, porque no habrá niños de la calle.


* La Santa Madre Iglesia corregirá algunas erratas de las piedras de Moisés:
El sexto mandamiento ordenará: "Festejarás el cuerpo".
El noveno, que desconfía del deseo, lo declarará sagrado.


* En ningún país irán presos los muchachos que se nieguen a hacer el servicio militar, sino los que quieran hacerlo.


* Los niños ricos no serán tratados como si fueran dinero, porque no habrá niños ricos.


* La Iglesia también dictará un undécimo mandamiento, que se le había olvidado al Señor: "Amarás a la naturaleza, de la que formas parte".


* Los economistas no llamarán nivel de vida al nivel de consumo, ni llamarán calidad de vida a la cantidad de cosas.


* La educación no será el privilegio de quienes puedan pagarla.


* Todos los penitentes serán celebrantes, y no habrá noche que no sea vivida como si fuera la última, ni día que no sea vivido como si fuera el primero.

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Love Actually

"Simplesmente amor"... :) Finalmente vi completo. Essa cena já tinha visto, e acho que esta no meu top 5 de cenas preferidas de filmes.

Nada melhor que ver esse filme num dia como hoje...

terça-feira, 27 de novembro de 2007

Ainda estamos discutindo isso?

Excelente vídeo. É incrível como em pleno 2007 ainda temos que postar vídeos contra o racismo, fazer campanhas etc. Tem coisas que são tão óbvias mas parecem tão difíceis de entender...


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segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Será que meu fim vai ser um tiro?

Certa vez John Lennon disse:

"That's part of our policy, is not to be taken seriously, because I think our opposition, whoever they may be, in all their manifest forms, don't know how to handle humor. You know, and we are humorous, we are, what are they, Laurel and Hardy. That's John and Yoko, and we stand a better chance under that guise, because all the serious people, like Martin Luther King, and Kennedy, and Gandhi, got shot."


Será que ele acabou sendo sério demais?

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

LINDO!

Minha irmãzinha linda me mandou isso hoje e mudou meu dia...

É daqueles videos que fazem você sair de qualquer estado de ânimo ruim!


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quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Pies Descalzos, sueños blacos


Depois de sentir novamente o frio típico do inverno (fez 3 graus na semana passada aqui em Buenos Aires), colocar meus pés na água num calor de 30 graus -em que meu all star era como uma prisão- foi um dos pequenos prazeres da minha lista infinita de coisas simples que me fazem feliz...

Além disso, pude comprovar que a teoria da Jú de não repetir países é furada. A cidade que eu visitei nessa segunda não era a mesma que visitiei em junho de 2005 na minha primeira visita ao Uruguai. Se no frio Colônia é linda, no calor é apaixonante. Molhar os pés no Rio de Prata e passear por suas ruazinhas no sol que vai até às 21h é ainda mais gostoso que tomar um vinho comendo uma tábua de frios num dia invernal.

Ou talvez seja essa alegria da chegada do calor que me deixou tão feliz.

Meu ponto é: a primeira vez nem sempre é a mais impactante! Por isso, não deixem nunca de experimentar a segunda, a terceira, a quarta... eu pelo menos garanto que não foi minha última visita!

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Mini super-herói


Li no jornal a história desse menino que vestido de homem aranha salvou a vida de um bebê que estava num quarto pegando fogo, em Santa Catarina.

Gostei dessa sensação de heróis verdadeiros, mais ainda, gostei da sensação de que essa criança superou todos os medos para ajudar a alguém em perigo...

Mas espero que as outras crianças não comecem a achar que tem super-poderes e podem sair ajudando a todos!

Bom, pelo menos ele vai poder ser, literalmente, um super-herói para seu filho um dia!

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Eoncontraran a mi valija!!!

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Já que estou numa fase bem visual... olhem esse vídeo!!!

Mesmo quem não entende espanhol vai rir. Esse é o exato momento em que resgatei minha mala, depois de várias indas-e-vindas, de estar todo o dia com a mesma roupa (mas tomei banho, viu?), e presa na rodoviária de Salta...perdi um dia do Congreso, mas ganhei esses dois amigos: ficaram o tempo todo lá comigo!!!

Uma das melhores histórias dessa viagem maravilhosa, até hoje choramos de rir quando nos lembramos.

E serve também para verem a minha franjinha, né?

beijoooos!

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Eu vivo sempre no mundo da lua!

Olhem que máximo!!!!

Quem não fica com os olhos cheios de lágrimas quando vê isso?? Lindo!!!

Vou fazer um post especial sobre artistas de MPB e músicas infantis, merecemos, né?

Essa era a minha preferida, qual mais vocês lembram?

beijoooos!

domingo, 28 de outubro de 2007

Luz, câmera, ação!

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Pra que todas tenham um início de semana maravilhoso... eu e a Preta dando show de atuação em Bariloche!

Não somos o máximo? :)

beijos!

No som, Toquinho e a música que citei no post abaixo:

Imaginem
Toquinho - Elifas Andreato

Imaginem todos vocês
Se o mundo inteiro vivesse em paz.
A natureza talvez
Não fosse destruída jamais.

Russo, cowboy e chinês
Num só país sem fronteiras.
Armas de fogo, seria tão bom,
Se fossem feitas de isopor.
E aqueles mísseis de mil megatons
Fossem bombons de licor.

Flores colorindo a terra
Toda verdejante, sem guerra.
Nem um seria tão rico,
Nem outro tão pobrinho:
Todos num caminho só.

Rios e mares limpinhos,
Com peixes, baleias, golfinhos.
Faríamos as usinas nucleares
Virarem pão-de-ló.

Imaginem todos vocês
Um mundo bom que um beatle sonhou.
Peçam a quem fala Inglês
Versão da canção que John Lenon cantou.

Faber Castell - Aquarela

Já que não deram muita bola ao outro vídeo... desse lembram, né?

Todos sabíamos cantar essa música, eu já adorava o Toquinho nessa época.

Vivo buscando um especial que ele fez pra Globo, um programa infantil, uam das músicas era uma versão de Imagine do John Lennon: "Imaginem todos vocês, se o mundo inteiro vivesse em paz... a natureza talvez, não fosse destruída jamais..." Lembram? Alguém tem esse especial gravado? Eu agradeceria muito!!!

Que outra lembrança desses especiais infantis você tem? Comente aqui! Vamos fazer uma sessão nostálgica, e linda...

sábado, 27 de outubro de 2007

Campanha Lula de 1989

Lembram disso?

Bateu aquela nostalgia... Quase 20 anos depois, tanta coisa mudou...

Bom sábado de muito sol (pelo menos aqui!) para todos!

E desculpem a ausência, mas a falta de tempo tá comlicando!

beijooooos!

terça-feira, 16 de outubro de 2007

:)


As vezes nós temos medo de imaginar demais, de criar muitas expectativas antes de ir a algum lugar, antes de conhecer algo ou alguém. Ultimamente eu tenho feito o contrário: cada coisa nova que surge, cada possibilidade ou idéia eu tento sonhar o máximo possível, criar idéias mil, pensar até cansar. Já sei que nunca vai ser como eu imaginei e adoro que seja assim.

Se as coisas sairem melhor do que eu imaginei, espetacular! Se for tudo pior, tudo bem; pelo menos nesses momentos em que estive fantasiando eu pude aproveitar!! A verdade é que imaginar, inventar, nunca pode ser ruim.

Com a minha viagem pro norte argentino foi assim. Antes de ir eu estava eufórica, cheia de expectativas. Quando entrei no ônibus, naquelas 20h de viagem até Salta, senti uma mistura de medo, alegria, ansiedade... e na volta tudo se resumia em FELICIDADE. Por ter conseguido aproveitar além do imaginado e do sonhado... por ter ido sozinha, por não ter ficado sozinha. Pela combinação perfeita entre conhecer o mundo e conhecer gente. Gente sempre vale a pena...

No som, muito Calamaro: "Me entrego al vino porque el mundo me ha hecho así, no puedo cambiar"!!

sábado, 13 de outubro de 2007

Tomates nem verdes, nem fritos



Que a inflação existe na Argentina é um fato, só o governo continua insistindo que não. Mas que o kg do tomate chegue a 18 pesos (um pouco menos de 6 dólares) é uma loucura. Já que o governo não fez nada, partiu da sociedade civil tomar uma atitude: boicot ao tomate!

Organizações de direito dos consumidores e os mercados chineses (aqui praticamente todos os mini mercados são de chineses, os conhecidos "chinos") propuseram o boicot esse semana, e o resultado: no segundo dia, o tomate já estava a $7,00, chegando no final da semana a até $3,00. Uma grande vitória.

Mais que nunca frequentei verdurarias e escutava as pessoas falando: "Não, tomate, não. Eu apoio o boicot". Estava por todos os lados, em todos os jornais e canais de TV.

O legal é que esse boicot mostra como a sociedade civil pode, sim, mudar as coisas que não a agradam se existe movilização. Aquela velha história de "se a gente fizer alguma coisa, as coisas mudam", foi provada que funciona.

VIVA O (Boicot ao) TOMATE!

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Sin olvido y sin perdón


Um dia para celebrar a justiça e acreditar que ela pode sim ser feita, mesmo quando já passado muito tempo.


Ontem foi condenado à prisão perpétua Von Wernich, padre católico acusado de participar da na última ditadura militar argentina. Ele era acusado de participar de 7 homicídos, 31 casos de tortura e 41 sequestros.


Desde o início do governo de Néstor Kischner a Argentina começou a julgar os responsáveis pela última ditadura militar, após serem consideradas inválidas as leis do perdão (do governo de Raúl Afonsin) que os protegiam.


O caso argentino é um avanço - e uma esperança - para todos os países do Cone Sul que sofreram com as últimas ditaduras sangrentas entre as décadas de 1960-1980. no Chile, Pinochet morreu sem nunca ter sido julgado, uma ferida que ficará aberta para sempre na sociedade chilena. No Brasil sequer existe alguma intenção de desconsiderar a lei de Anistia (feita pelos própios militares, que os inclui) e mandar pro banco dos réus tantos torturadores e assassinos. O que existe é uma política de indenização, o que reconhece o ato, mas não responsabiliza seu praticante.


Esse é um momento histórico não apenas para os argentinos. Todos nós como latino-americanos, todos os que defendem políticas de direitos humanos, ou simplesmente os que acreditam na justiça devem agora fazer um brinde à decisão unánime da justiça argentina.

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Quem acredita no mago?

Outro dia entrei em uma livraria aqui em Buenos Aires e em uma seção dessas de livros mais vendidos encontrei 4 do Paulo Coelho, todos devidamente traduzidos ao espanhol. Não foi a primeira vez que me dei conta que ele é um fenômeno mundial, mas foi quando parei pra pensar sobre isso. Ali estavam seus livros, ao lado de Maitena e pior, da Mafalda.

Na mesma época abro o jornal e vejo que ele foi escolhido pela ONU para ser Mensageiro da Paz (seja o que isso signifique). Os argentinos perguntam se eu não estou orgulhosa de todo esse reconhecimento internacional que ele tem. Eu deveria estar?

No Brasil existe um preconceito muito grande em relação a esse autor. Reconheço que sou uma das muitas pessoas que defende o "não li e não gostei". Paulo Coelho virou motivo de crítica para praticamente toda uma geração de intelectuais.

Uma vez em uma aula do curso de História da UFF sobre "História e Literatura" surgiu a questão de que até o Paulo Coelho deve ter um lado bom. Algum aluno irônico respondeu imediatemente: "tinha, mas já morreu, era o Raul Seixas.

Passados alguns anos ainda acho graça nesse comentário, mas não posso deixar de pensar que realmente ele deve ter um lado bom (que ainda esteja vivo). Conheço muitas pessoas que gostam de seus livros e o consideram um dos grandes escritores da literatura brasileira.

Seu sucesso internacional também deixa a dúvida: o que será que tem de tão interessante em suas histórias? Não tenho dúvida que ele sabe como escrever, talvez falte aprender o que escrever...

É complicado levar a sério alguém que acha legal publicar algo como:

"O segredo da felicidade está em olhar todas as maravilhas do mundo e nunca se esquecer da sua missão ou do seu objetivo." O Alquimista.

Nada pior do que escutar citações filosóficas a la Paulo Coelho... Afinal, quem lê seus livros tem essa sensação estranha de achar que isso o faz intelectual, e pior, de achar que é "culto" citar coisas desse nível. Ainda dou mais valor à citações de bêbados em botequins...

Talvez eu devesse ler antes de criticá-lo. Mas o mais difícil para mim não é aceitar seu sucesso. O difícil é pensar que um país que tem em sua história Machado de Assis, Nelson Rodrigues, Lima Barreto entre muitos otros, tenha conseguido o sucesso no mercado editorial logo com o "mago". Tenho uma lista imensa de autores que quero que ler (e reler) antes de pensar em dar uma oportunidade a Paulo Coelho.

E confesso que ainda prefiro pensar que é somente um acidente ver Brida ali, tão perto da Mafaldinha...

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

O eterno nervosismo da primeira vez


Já tive tantas primeiras vezes na minha vida, umas ótimas, outras nem tanto, que resolvi fazer meu primeiro post nesse blog exatamente sobre isso: primeiras vezes.

Já é comum a discussão dos medos da primeira vez. A que inicia todo esse processo acho que é a primeira vez que nos separamos dos nossos pais, ou a primeira vez que vamos à escola, e quando olhamos pra trás não temos mais ao nosso lado o nosso "porto seguro". E de alguma maneira é a primeira vez que encaramos o mundo sozinhos.

A foto que coloco aqui é sobre um sentimento de primeira vez, já que toda primeira vez é também o início de uma caminhada. E é sempre melhor caminhar (bem) acompanhado!
Seguindo a idéia do filme "Alta Fidelidade", faço aqui meu top 5 de primeiras vezes que marcaram a minha vida, sem nenhuma ordem de importância, a única ordem é a do que me veio primeiro à cabeça:

1. A primeira vez que toquei o Oceano Pacífico - foi em fevereiro de 2004, na minha viagem ao Chile com a minha irmã e minha prima. Fizemos uma viagem maravilhosa Argentina-Chile, era minha primeira vez fora do Brasil. Essa viagem tem um significado especial em muitos aspectos da minha vida, como por exemplo a minha relação com a minha irmã. Acho que foram esses dias juntas que terminou de criar esse laço tão forte que temos hoje. Tocar o Pacífico foi o momento em que senti todas as emoções dessa viagem juntas, e desde então viajar é o grande prazer da minha vida.

2. A primeira vez que perdi alguém - não só de coisas boas são feitas as "primeiras vezes". Eu tinha 16 anos e éramos amigas de colégio. Nesse momento senti um vazio e percebi algo que parecia óbvio, mas não era: que não somos imortais.

3. A primeira vez que dei aula - eu estava assustada, com muito, muito medo. Entrei na sala de aula pra substituir um professor que era amado por todos. Estava apavorada, querendo fugir, até que me vi olhando pra 30 criaturas de não mais que 11 anos, todos querendo saber quem era essa menina ali na frente querendo falar sobre História... e então relaxei e tive a certeza que esse era um dos maiores prazeres da minha vida.

4. A primeira vez que viajei sozinha - não considero ter vindo pra Argentina uma viagem sozinha, foi uma mudança completa de vida. A primeira vez que de verdade viajei sozinha foi há 15 dias, quando conheci o norte argentino. Foram 9 dias mágicos, nos quais conheci lugares e pessoas incríveis, tudo ainda está sendo processado. Meu grande companheiro foi meu velho all star, que caminhou comigo tanto na solidão total quanto na companhia de novos amigos. E claro, minha câmera de fotos, registrando cada segundo.

5. A primeira vez que toquei neve - estava em Córdoba, acordei com a recepcionista do albergue gritando "nieve! nieve!". Levantei e fiquei pelo menos uma hora sentada na janela olhando, um frio incrível (que me rendeu um super resfriado depois), e eu de pijamas, só admirando aqueles floquinhos brancos que pareciam cair como mágica...

Já tenho 5 outras primeiras vezes importantes, que na verdade parecem mais importantes que as que escrevi. Mas o que importa é que, há 5 minutos atrás, isso era o que eu sentia.

Bom, pra tentar criar algum tipo de troca com esse blog, espero recados de todos: qual o seu top 5 de primeiras vezes?