domingo, 29 de junho de 2008

"Cacerolas de Teflón"

Achei essa música que é uma crítica aos últimos "panelaços" feitos aqui na Argentina a favor dos "homens do campo" (sim, dos latifundiários, dos que usam mão de obra escrava ou ilegal, esses mesmos) e é exatamente o que mais me espanta nessa confusão toda: por que defender um setor social que literalmente só pensou e pensa nos seus próprios interesses e não fazer piquete pelos pobres, pelas privatizações loucas do Menem, pela fome, miséria...?

Isso não significa que eu defenda a Cristininha, longe de mim. Mas eu realmente não consigo entender como a classe média argentina, em sua maioria, pode se sentir identificada assim com os ruralistas.


Cacerola de teflón

Por Ignacio Copani


No te oí… En los días del silencio atronador.
No te oí junto a las madres del dolor,
no sonaste ni de lejos, por los chicos, por los viejos… olvidados.

No te oí… Puede ser que ya no estoy oyendo bien,
pero al borde de las rutas de Neuquén,
no te oí mientras mataban por la espalda a mi maestro.

Y entre nuestros cantos desaparecidos
yo jamás oí el sonido de tu tapa resistente,
que resiste comprender que hay tanta gente
que en sus pobres recipientes solo guarda una ilusión.

Cacerola de teflón, volvé al estante,
que la calle es de las ollas militantes…
Con valiente aroma de olla popular.
Cacerola de teflón, a los bazares,
o a sonar con los tambores militares…
Como tantas veces te escuché sonar.

No te oí… Cuando el ruido de las fábricas paró,
cuando abril su mar de lágrimas llenó.
No te oí con los parientes del diciembre adolescente… asfixiado

No te oí… Puede ser que mis oídos oigan mal,
pero no escuché en la exposición rural,
reclamar por el jornal de los peones yerbateros,
por la rentabilidad de los obreros,
por el tiempo venidero, por que venga para todos

No te oí ni te oiré porque no hay modo
de juntar tu avaro codo, con mi abierto corazón.

Cacerola de teflón, volvé al estante…
De los muebles de las casas elegantes,
que las cocineras te van a extrañar.

Cacerola de teflón, a los bazares...
O a sonar en los conciertos liberales...
Como tantas veces te escuché sonar.

No te oí … En el puente de Kosteki y Santillán,
no te oí por el ingenio en Tucumán,
no te oí en los desalojos, ni en los barrios inundados … de este lado.

No te oí… En la esquina de Rosario que estalló
cuando el angel de la bici se cayó…
Y sus ángeles pequeños se quedaron sin comida.

Y jamás te oí en la vida repicar desde acá abajo,
por un joven sin trabajo, a la deriva.
Debe ser que desde arriba, desde los pisos más altos
no se ve nunca el espanto y las heridas.

Cacerola de teflón, volvé al estante…
Yo me quedo en una marcha de estudiantes,
donde vos nunca supiste resonar.

Cacerola de teflón, a los bazares
o a llenarte de los más ricos manjares
que en la calle no se suelen encontrar…
Cacerola de teflón andá a c…ocinar.

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Festa da praça

Ainda não consegui ter tempo pra fazer o post que devo explicando a briga entre CAMPO e GOVERNO aqui na Argentina por causa das retenções que o governo pôs a partir do dia 11 de março. Uma vergonha, eu sei, porque foram 101 dias de greve dos "homens do campo" e não dá pra falar que em 101 dias eu não pensei em nada. Mas o que importa é que agora eu quero falar da nova cena do conflito: o Congresso Nacional.

Depois do dia "D", digamos assim pra dar um nome, que foi o dia 16/06, uma segunda-feira, feriado, dia seguinte do dia dos pais (claro que aqui o dia dos pais e o dia das mães é outra data, e claro também que é por causa do San Martín. Sério.), que foi o tal do "cacerolazo" (panelaço) super concorrido e movimentado pela nata da sociedade argentina, e que gerou o meu post rebelde de desabafo, De saco cheio, o cenário mudou. Como eu gosto de fazer piadinhas sem-graça (e insistir nelas), "Alguém tinha que ceder": Cristinhinha (governo) decidiu mandar a tal da lei de retenções pro Congresso Nacional, pra ser ou não aceita. Os "homens do campo" pediam isso desde o início, e Cristininha cedeu, mas a seu modo: "Faço porque quero, mas não tenho obrigação". Ela é muito do tipo mulé macho, mas no sentido de poder, não de ser masculina (até porque seu guarda roupa é um assunto a parte), é bizarro, dá discurso com aquele dedo de esporro apontando não a um de nós, mas a todo um país, em cadeia nacional. Toda sinistrona ela, toda se querendo. Ah, e disse também que nada de mudar a lei que ela tinha assinado, o projeto ou passa como ela mandou, ou não passa.


Resultado, o conflito ganhou um novo objetivo, os deputados e senadores (que são perseguidos, é muito engraçado, tem "homem do campo" que até ameaça de morte quem votar a favor) e novo point: a Praça dos dois Congressos. Quem conhece Buenos Aires sabe que é uma praça que há uns 2, 3 anos estava suja, mal cuidada, mas agora tá toda linda. Parece que já sabia que ia ser point. E argentino que se prese já inventou a nova onda: acamparam na praça. Pois é, os 2 grupos, os da Cristininha (com várias barracas, ou "carpas" em espanhol) e os dos "homens do campo". Veio a prefeitura de Buenos Aires e disse que era ilegal (pros da Cristininha, os outros pediram autorização), mas como a polícia que tinha que expulsá-los era federal (ou seja, do governo), ninguém saiu de lá. Então passaram a viver em harmonia, no que significa essa palavra aqui na Argentina, né: um dia jogaram rugby (cara, isso é demais pra minha pessoa! Jogar rugby como se fosse futebol, só pra dizer que são "europeus"), aí dois dias depois um jovem que apoiava os "homens do campo" foi esfaqueado, tudo assim, bem tangueiro, com transmissão ao vivo praticamente 24h nos canais de TV e o CQC daqui fazendo a festa.

E nisso estamos. Em tempos que o Brasil faz suas deliciosas festas juninas, o argentino inovou e, no frio do inverno porteño, montou suas barracas na pracinha, com direito a touro inflável ("homens do campo")- carinhosamente chamado de Alfredito, que é um dos líderes, Alfredo de Angelis, e virou uma espécie de ídolo da oposição quando foi preso no dia 14/06 mostrando suas gordurinhas salientes (ele tem um pouquinho mais que a Kurkov) em cadeia nacional- pessoas fantasiadas de ovo e um pingüim inflável (Cristininha`s friends), e assim segue a vida aqui no país do piquete.






Vamos tomar muito vinho porque essa loucura tá foda!!!


Bom post sobre o novo point no Blog do Túlio:
Prefeitura não consegue chutar o pau da barraca da presidente

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Modelos, comida e machismo (em qualquer ordem)

Nessa última semana aconteceu o tal do São Paulo Fashion Week, com direito a Gisele Bündchen e tudo. Mas, pra variar, não foram as modelos esqueléticas e magrelas o assunto principal. Porque nesse "mundo da moda", de celebridades e afins, o que dá ibope é falar mal e criticar. E sobrou pra pobre (? em que sentido, pq ela tá lá, cheia do $$!) modelo tcheca Karolina Kurkove, que mesmo sendo um mulherão, cometeu o erro mais banal e imperdoável do meio: mostrou gordurinhas e celulites. Ou seja, virou mortal.

Eu imagino que a coitada (? mais uma vez, esclareço que é maneira de falar...) deve ter pensado: "eu não como decentemente há pelo menos 15 anos, agora que sou uma das modelos mais bem pagas do mundo vou me dar um presente!" e comeu uma barrinha daquele chocolate Twix! Aí, pronto, pulou celulite e gordurinha por todos os lados...


Cara, eu seria muito, muito feliz se minhas celulites e gordurinhas fossem desse nível. Mas já que meu corpo não é meu instrumento de trabalho (olha as piadas infames...), não dispenso meu leite condensado, minha cerveja... esses prazeres mundanos!

Mas o pior não é toda essa palhaçada porque a outra resolveu comer 2 folhas de alface por refeição, dobrando sua quantidade diária. Pior é ter que agüentar o machismo idiota num comentário como esse, quando um site desses de fofoca (o tal do Ego), pergunta aos homens "famosos" (nível do tal Diego Alemão, pra ter uma idéia), se eles se importam com as celulites, e aí vem essa pérola:

"Pegar uma mulher com celulite é igual a comer picanha com gordura, faz parte!" Latino


Cara, a lista de erros nisso é eterna.

1. O Latino é celebridade?
2. A opinião dele realmente importa?
3. Qual o problema desse site que publica uma frase como essa e acha normal? Tipo, não dá pra ver o absurdo? O machismo total?

Minha irmã, que ficou super revoltada com tanto carinho do Latino, fez o seguinte comentário:

"Falou que a mulher tem celulite e gordura, comparou-a com um pedaço de carne e ainda disse que come a mulher. Eu acho que faltou, pra ser mais o péssimo possível, ele dizer que picanha vem do boi e boi tem chifre. Pronto, aí ele conseguiu ofender a mulher de todas as formas possíveis!"

Mas aí eu lembrei que, cara, o que pode ser pior do que ser o Latino?

terça-feira, 24 de junho de 2008

É assim, mesmo


A Maitena é uma das minhas cartunistas preferida. Não que eu tenha muitos cartonistas na minha lista, mas acho que ela consegue ser divertida e retratar o universo feminino de uma maneira simples. Quer dizer, ela retrata de maneira simples toda a nossa complexidade...

Fora que ela é uma figura, com essa imagem super descolada e aparentemente tranqüila.


Resumindo: A-D-O-R-O!

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Tudo na vida um dia acaba: felizmente!


Eu quero muito acreditar que acabou a era Eurico no Vasco. Chega de vergonha, daquela humilhação eterna, de ver o clube da gente indo por água abaixo nas mãos de um cretino, corrupto como o Eurico bem mostrou ser.

Claro que tratando-se de Eurico eu espero pra comemorar a vitória só quando ver o Dinamite sentado na presidência. De tapetão o velho Eurico entende bem.

Mas os resultados estão aí:

NETVASCO - 21/06/2008 - SÁB - 22:35 - POLÍTICA: CHAPA DE DINAMITE 827 X 45 CHAPA DE EURICO

Resultado final das eleições para o Conselho Deliberativo do Vasco determinadas pela Justiça e realizadas na Sede do Calabouço neste sábado, 21 de junho de 2008.
Chapa de Oposição: 827 votos
Chapa de Situação: 45 votos
Nulos: 10 votos
Branco: 5 votos

Total: 887 votos
Com isso, a chapa de Roberto Dinamite indicará 120 membros para o Conselho Deliberativo. A chapa segunda colocada, de Situação, encabeçada por Eurico Miranda (que no entanto não reconhece as eleições e promete contestá-las na Justiça) terá direito a indicar 30 membros. Esses 150 conselheiros eleitos se juntarão aos 150 conselheiros natos para eleger o presidente do Vasco na próxima sexta-feira, dia 27 de junho, às 20 horas, na Sede Náutica da Lagoa, de acordo com o cronograma estabelecido no edital publicado pelo Vice-Presidente da Assembléia Geral do Vasco, Alberto Soares Moutinho.

Fonte: NETVASCO

E não só uma vitória para o Vasco, para o futebol carioca e brasileiro, mas também uma vitória política, gente desse calibre tem que estar atrás das grades... e esse cara já foi até deputado, inacreditável... Mais uma vez, recomendo a entrevista do Aldir Blac que publiquei em outro post:

ABI OnlineE sua outra paixão, o Vasco da Gama?
Aldir — Tenho uma relação afetiva com o clube, mas não me identifico com o Vasco do Eurico, com suas cavalices e a perseguição estúpida ao Flamengo, que só nos deu vexame. Perdemos três títulos depois que ele escolheu esse caminho como meta eleitoral. Por isso eu o chamo de “Maquiavel ao Zé do Pipo”. Vou contar tudo isso no livro “Código da Gama” que quero terminar até dezembro, fazendo algum tipo de previsão entre o que está aí agora e o clube que nós vascaínos queremos.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Perde o rumo, perde a paz, perde tudo; menos a piada!


É bom saber que aqui na Argentina também tem sempre alguém que mantém o bom humor, custe o que custar...

El genial Woody Allen ha dicho alguna vez que el humor cuenta con una simple fórmula matemática: Humor = tragedia + tiempo.


Fonte do texto: Cacerolazo: ¿me permiten un poco de humor?
Fonte da foto: Tu estencil

De saco cheio



Sei que disse que ia fazer um post sobre a crise GOVERNO X CAMPO que há 100 dias é o principal tema aqui na Argentina. Mas tô de saco cheio disso, de verdade!

* Tô de saco cheio de que um assunto desse tenha tomado o rumo que tomou, afetado tanto um país que não merecia isso, e gerado esse conflito político e social que enfrentamos hoje;

* Tô de saco cheio de ver as madames da Recoleta saírem pra protestar com suas lindas panelas na mão, com seus casacos de pele com um discurso ridículo "qual o problema de ser rico?", quando tem pessoas na miséria nesse país, aqui mesmo na capital federal, e a classe média é incapaz de pegar uma panela e protestar contra isso;

* Tô de saco cheio de ouvir as panelas batendo e ver pela TV todos com roupas de marca e tirando fotos do piquete com seus celulares última geração;

* Tô de saco cheio de ver cartéis e discursos que apóiam Videla, que querem a volta dos militares, que dizem que os governo é "un gobierno Montonero, de terroristas";

* Tô de saco cheio de ver a presidente do país não dar as caras e ver seu o marido, ex-presidente, marcar presença nos atos de apoio ao governo;

* Tô de saco cheio de ver todo mundo dando conferência de imprensa: membros da oposição, o tal do ex-marido, os 4 líderes do campo, todo mundo acha que tem que falar ao vivo na TV, um show de horrores;

* Tô de sacho cheio dos piqueteiros oficiais do governo, que vão ameaçando pra Plaza de Mayo e dizem que o lugar é deles;

* Tô de saco cheio de ver gente com panela na mão, num frio de 5 graus, apoiando latifundiário!!!!;

* Tô de saco cheio de ir ao mercado e ver tudo controlado: 1 lata de óleo por pessoa, 2 pacotes de farinha, 6 caixas de leite e não tem carne! Além disso, a coca-cola light de 1,5 litros tá custando $4,50, quando em março custava menos de $3,00;

* Tô de saco cheio de ver o governador da cidade de Buenos Aires, Mauricio Macri, fazer um monte de merda e ninguém nem aí, porque o único assunto é o campo;


* Tô de saco cheio do governo usar a luta pelos direitos humanos como bandeira política, dizendo que estar contra a Cristina K é estar a favor da ditadura militar de 1976 (!!!);

* Tô de saco cheio de escutar o vocabulário da guerra frio nos dias atuais, "terceira via", "bipolarização de ideais";

* Tô de saco cheio do frio e de quase não sair gás da calefação porque o país sofre com falta de energia;


* Tô de saco cheio de tudo isso, e de saber que ainda vai ser um longo caminho até que tudo termine, essa que os especialistas consideram uma crise política sem antecedentes na história argentina;


* Tô de saco cheio de não poder não estar de acordo com nenhum dos dois, nem campo nem governo, porque aqui é 8 ou 80, em tudo;


* E mais: TÔ DE SACO CHEIO DO BRASIL IGNORANDO O QUE ACONTECE POR AQUI, enquanto todos os dias eu leio nos jornais brasileiros tudo sobre a crise no Iraque e as eleições nos EUA.


TÔ MUITO DE SACO CHEIO!


Ufa, nada como um bom desabafo! :)

Em tempo:

Os que não estão nem com o campo, nem com os K

quarta-feira, 18 de junho de 2008

E o conflito argentino?


É uma vergonha que no clima que vive a Argentina esse momento eu ainda não tenha feito um post sobre a loucura da crise GOVERNO X CAMPO que o país vive.

Amanhã, "celebrando" os 100 dias de crise, vou postar algo. Espero.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Uma grande música, um grande homem

Se tem um cara que eu adoro é o Aldir Blanc. Além de excelente compositor, é bom escritor e tem um senso de humor refinado. Também compartilhamos uma visão política parecida. E se só isso não bastasse, o cara ainda é vascaíno e anti-Eurico!

Uma das minhas músicas preferidas é justamente uma escrita por ele em parceria com João Bosco, "O bêbado e a equilibrista", na voz da Elis me deixa toda arrepiada. A música ficou conhecida na época do seu lançamento como o hino da anistia, e a letra é genial.


Essa entrevista que ele deu em novembro de 2007 para a ABI é ótima, e gosto muito da parte em que ele explica como foi feita essa música que eu adoro:


ABI Online
Você esperava ver “O bêbado e a equilibrista” virar o hino da Anistia?
Aldir — O que é bacana nessa música é que ela não nasceu ligada ao tema. Quando o Chaplin morreu, o João me chamou na casa dele e disse que havia feito um samba, cuja harmonia tinha passagens melódicas parecidas com “Smile” (do filme “Tempos modernos”), propositalmente construídas para que homenageássemos o cineasta. Só que, casualmente, encontrei o Henfil e o Chico Mário, que só falavam do mano que estava no exílio.

Aldir participa do Festival da Canção de 72

ABI OnlineSurgiu aí a idéia de incluir o Betinho na letra?
Aldir — O papo com o Chico e o Henfil me deu um estalo. Cheguei em casa, liguei para o João e sugeri que criássemos um personagem chapliniano, que, no fundo, deplorasse a condição dos exilados. Não era a idéia original, mas ele não criou caso e disse: “Manda bala, o problema é seu.” A música foi cantada pela primeira vez, pela Elis, num programa em São Paulo. No dia seguinte, estava estourando em todo o Brasil e ainda nem tinha sido gravada.

ABI OnlineComo foi seu primeiro contato com o Betinho?
Aldir — Ele retornou ao Brasil, depois da Lei da Anistia, e foi assistir a um show no Canecão (Rio). A gente se cruzou numa ida ao banheiro. Ele olhou para mim e falou, sorrindo: “É você, não é? Eu pretendia terminar os meus dias lá fora e voltei por causa dessa música, seu f.d.p.” E assim essa amizade se solidificou, a ponto de nos transformarmos, Betinho, Henfil, Chico Mário e eu, quatro irmãos.

A entrevista completa você lê clicando aqui.

O bêbado e a equilibrista
Caía a tarde feito um viaduto
E um bêbado trajando luto
Me lembrou Carlitos...

A lua
Tal qual a dona do bordel
Pedia a cada estrela fria
Um brilho de aluguel

E nuvens!
Lá no mata-borrão do céu
Chupavam manchas torturadas
Que sufoco!
Louco!
O bêbado com chapéu-coco
Fazia irreverências mil
Prá noite do Brasil.
Meu Brasil!...

Que sonha com a volta
Do irmão do Henfil.
Com tanta gente que partiu
Num rabo de foguete
Chora!
A nossa Pátria
Mãe gentil
Choram Marias
E Clarisses
No solo do Brasil...

Mas sei, que uma dor
Assim pungente
Não há de ser inutilmente
A esperança...

Dança na corda bamba
De sombrinha
E em cada passo
Dessa linha
Pode se machucar...

Asas!
A esperança equilibrista
Sabe que o show
De todo artista
Tem que continuar...

domingo, 8 de junho de 2008

"Isso é chopp, não é gordura!"


Essa é a minha situação depois de um mês e 10 dias tomando muito chopp e comendo pastel de camarão com catupiry do Belmonte. Mas, não me entendam mal: nenhum arrependimento! Nada como ser uma "barrigudinha" feliz! haha!

Mas voltei pra yoga, pelo menos a mente vai estar relaxada e o corpo tranqüilo.

Bom fim-de-semana pra todos, o post é curto porque ainda tenho muito vinho pra beber por aqui!

quinta-feira, 5 de junho de 2008

"Riquelme fue Riquelminho..."


Bom, meu consolo depois do vexame do Boca ontem contra o Fluminense foi ter visto a alegria do Chico Buarque: ôh, coisa linda!

PS: O título do post é de uma das reportagens sobre o jogo que saiu no Ole!.

terça-feira, 3 de junho de 2008

Nas alturas

No dia 22 de maio fui pra Porto de Galinhas, me "despedindo" do Brasil, mais uma vez. Nem preciso comentar que o lugar é maravilhoso, com praias e piscinas naturais lindíssimas, e super recomendável.

O que merece meu post é o tipo de transporte que nos levou de São Paulo até Recife: avião. Melhor, a companhia aérea responsável por essas 3horas de viagem na ida mais 3h na volta, a TAM.

Como eu moro na Argentina e é relativamente perto do Rio de Janeiro, viajo bastante de avião. Quer dizer, bastante considerando que viajo internacional. Pelo menos 3 vezes ao ano, ida e volta, desde 2005. Some aí uma viagem a Bariloche e ponta aérea RJ-SP. Por muito tempo reclamei horrores da Gol, até que passei a voar feliz de Varig e me apaixonei pela Lan. Até que nessa viagem pra Porto de Galinhas fui de TAM... e prometi nunca mais reclamar da Gol.

Eu sou alta, então bancos apertados realmente me incomodam. E o da TAM, pelo menos no avião que eu fui, era bem apertado, o pior que eu já viajei. Mas isso ainda dá pra aceitar. O que realmente me incomodou foi a antipatia das comissárias da empresa. Sorriso era artigo de luxo, e o tom da comandante ao anunciar que havia um atraso na decolagem era de diretora dando esporro quando cantávamos mal o hino nacional no colégio.

Eu já tava de mal humor com o mal humor dos funcionários, e me senti pior quando o vídeo que a empresa passa durante o vôo se refere à todos como "clientes", e não "passageiros". Tudo bem, não é lá grande coisa, mas eu realmente prefiro ser lembrada como passageira do que como uma simples compradora.

Não terminou aí. Com um projeto de "valorizar a cultura nacional", a TAM está dando como refeição pratos típicos de cada região do Brasil. Na ida nossa incrível surpresa: feijoada. Sim, eu comi feijoada no avião, a foto abaixo prova isso:


(O dedo do Ale mostra sua desaprovação com a oferta)

Não vou negar que estava gostosa, mas na boa: feijoada no avião? É uma comida super pesada, nem todos gostam, e nem quero falar da reação do nosso corpo à esse tipo de comida: peidos! Sim, esse era o cenário... e quando perguntei se havia outra opção, me disseram que não, somente isso. Ou seja, se eu fosse vegetariana, ou simplesmente não gostasse de feijoada, ficava com fome e pronto.

E a volta: o prato da região Sul era abobrinha com carne moída. É sério. A cara das crianças olhando dava pena. E perguntei pra uma amiga de Curitiba e ela me garantiu: não tem a menor idéia em que parte do Sul abobrinha com carne moída é o prato típico.

Moral da história: a TAM conseguiu ficar atrás da Gol na lista. E a Lan continua na frente.