segunda-feira, 9 de junho de 2008

Uma grande música, um grande homem

Se tem um cara que eu adoro é o Aldir Blanc. Além de excelente compositor, é bom escritor e tem um senso de humor refinado. Também compartilhamos uma visão política parecida. E se só isso não bastasse, o cara ainda é vascaíno e anti-Eurico!

Uma das minhas músicas preferidas é justamente uma escrita por ele em parceria com João Bosco, "O bêbado e a equilibrista", na voz da Elis me deixa toda arrepiada. A música ficou conhecida na época do seu lançamento como o hino da anistia, e a letra é genial.


Essa entrevista que ele deu em novembro de 2007 para a ABI é ótima, e gosto muito da parte em que ele explica como foi feita essa música que eu adoro:


ABI Online
Você esperava ver “O bêbado e a equilibrista” virar o hino da Anistia?
Aldir — O que é bacana nessa música é que ela não nasceu ligada ao tema. Quando o Chaplin morreu, o João me chamou na casa dele e disse que havia feito um samba, cuja harmonia tinha passagens melódicas parecidas com “Smile” (do filme “Tempos modernos”), propositalmente construídas para que homenageássemos o cineasta. Só que, casualmente, encontrei o Henfil e o Chico Mário, que só falavam do mano que estava no exílio.

Aldir participa do Festival da Canção de 72

ABI OnlineSurgiu aí a idéia de incluir o Betinho na letra?
Aldir — O papo com o Chico e o Henfil me deu um estalo. Cheguei em casa, liguei para o João e sugeri que criássemos um personagem chapliniano, que, no fundo, deplorasse a condição dos exilados. Não era a idéia original, mas ele não criou caso e disse: “Manda bala, o problema é seu.” A música foi cantada pela primeira vez, pela Elis, num programa em São Paulo. No dia seguinte, estava estourando em todo o Brasil e ainda nem tinha sido gravada.

ABI OnlineComo foi seu primeiro contato com o Betinho?
Aldir — Ele retornou ao Brasil, depois da Lei da Anistia, e foi assistir a um show no Canecão (Rio). A gente se cruzou numa ida ao banheiro. Ele olhou para mim e falou, sorrindo: “É você, não é? Eu pretendia terminar os meus dias lá fora e voltei por causa dessa música, seu f.d.p.” E assim essa amizade se solidificou, a ponto de nos transformarmos, Betinho, Henfil, Chico Mário e eu, quatro irmãos.

A entrevista completa você lê clicando aqui.

O bêbado e a equilibrista
Caía a tarde feito um viaduto
E um bêbado trajando luto
Me lembrou Carlitos...

A lua
Tal qual a dona do bordel
Pedia a cada estrela fria
Um brilho de aluguel

E nuvens!
Lá no mata-borrão do céu
Chupavam manchas torturadas
Que sufoco!
Louco!
O bêbado com chapéu-coco
Fazia irreverências mil
Prá noite do Brasil.
Meu Brasil!...

Que sonha com a volta
Do irmão do Henfil.
Com tanta gente que partiu
Num rabo de foguete
Chora!
A nossa Pátria
Mãe gentil
Choram Marias
E Clarisses
No solo do Brasil...

Mas sei, que uma dor
Assim pungente
Não há de ser inutilmente
A esperança...

Dança na corda bamba
De sombrinha
E em cada passo
Dessa linha
Pode se machucar...

Asas!
A esperança equilibrista
Sabe que o show
De todo artista
Tem que continuar...

3 comentários:

Renato Rosário disse...

Livinha,

Sabe que dessa música eu só gosto da letra, e não curto muito ouvi-la não. Acho também porque virou lugar-comum em cantores de mpb "de churrascaria" sempre colocarem-na no repertório... hehehe

Agora, o Betinho só entrou pela rima (Henfil com Brasil)! :-)

Ah! Não consegui acessar o link que você postou no meu blog não. Manda pelo e-mail ou orkut.

Beijão!

Vinicius disse...

Eu não gosto mto dele..
mas essa musica é dahora sim..

Carla Beatriz disse...

Oi Lívia,

Tem um presente para ti lá no Vai, Carla! Ser Gauche na Vida!

Vai lá conferir! ;-)

Beijos mil