sexta-feira, 18 de julho de 2008

Acabou? Será?


Há mais ou menos uma hora a presidente da Argentina, Cristininha K, revogou a lei 125, que gerou tanta polêmica e um conflito de mais de 100 dias (exatamente 129) entre Campo e Governo que dividiu a sociedade argentina.

Alguns vão pensar: "Pronto. Acabou". Será? Olha, 3 anos e meio morando aqui me ensinaram algo: não duvide de nada na Argentina. Sério. Vamos ver qual é a próxima crise...

Por enquanto, já que eu não tomo vergonha na cara, copio a cronologia que a Folha de São Paulo fez sobre a crise, para explicar de uma vez por todas porque tanta confusão! Se preferem algo mais detalhado, aqui em castelhano.

(Na foto, o "adeus" de Cristininha à sua querida lei)

-11 de março: Após dois dias de bloqueios aos portos por parte dos produtores agropecuários em protesto pela proibição de exportar trigo, o governo anuncia um novo esquema de impostos às exportações de grãos, cuja taxa varia em função dos preços internacionais.

-13 de março: As quatro entidades que reúnem os produtores agropecuários iniciam um locaute reforçado com bloqueios de estradas em vários pontos do país.

-20 de março: O sindicato de caminhoneiros envia representantes aos bloqueios para forçar os agricultores a permitir o trânsito do transporte de carga.

-25 de março: A presidente da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner, condena o protesto e rejeita o que qualifica como uma "extorsão" iniciada pelo setor rural.

Em Buenos Aires e nas principais cidades do país, o governo de Cristina ouve seu primeiro panelaço. Setores aliados à situação vão à Praça de Maio para impedir a passagem de manifestantes contrários ao projeto, o que gera alguns incidentes.

-26 de março: O governo adverte que enviará as forças de segurança aos bloqueios para liberar as estradas. Novos panelaços são ouvidos durante a noite em Buenos Aires.

-27 de março: O desabastecimento de alimentos básicos é sentido nas principais cidades do país. Cristina convoca os produtores para dialogar, mas condiciona a negociação ao fim dos bloqueios. O convite é bem recebido pelas quatro entidades agropecuárias.

-28 de março: Os produtores suspendem os bloqueios e é aberta uma mesa de negociações com o governo, que fracassa em função da falta de acordos. Os produtores retomam os bloqueios.

-31 de março: O governo anuncia compensações para pequenos produtores agropecuários, que na prática ficam isentos da alta dos impostos. As organizações agropecuárias reagem com cautela e ratificam a continuação da greve até 2 de abril.

-1º de abril: Agrupamentos sociais, políticos e sindicais convocam um ato na Praça de Maio em respaldo ao governo de Cristina. Os produtores agropecuários permitem o trânsito de caminhões com alimentos perecíveis, como lácteos e hortaliças.

-2 de abril: As patronais agrárias anunciam a suspensão por 30 dias do locaute e os bloqueios de estradas para retomar as negociações.

-6 de abril: O governo denuncia à Justiça as entidades do campo por "violar as leis de abastecimento e da segurança" e por "impedir o funcionamento normal do transporte", após o locaute de 21 dias e os protestos do setor.

-11 de abril: O governo retoma as conversas com as patronais agrárias.

-17 de abril: As duas partes concordam em garantir o fornecimento para provocar a queda dos preços dos cortes de carne populares, e para levantar as restrições à exportação do produto.

-18 de abril: O governo formaliza o começo do esquema de reintegrações e subsídios para pequenos e médios agricultores.

-30 de abril: Os produtores e o governo chegam a um acordo para retomar as exportações de carnes e trigo.

-2 de maio: As patronais agropecuárias retomam os protestos, mas sem bloquear estradas nem retomar o locaute, à espera das negociações.

-5 de maio: As autoridades argentinas retomam a exportação por quotas de carne de bovino.

-6 de maio: As entidades do campo se reúnem com o governo e asseguram que o Executivo admitiu que houve erros na aplicação do novo esquema tributário, o que foi desmentido horas mais tarde pelas autoridades.

-7 de maio: As entidades agropecuárias suspendem a comercialização de grãos para a exportação até 15 de maio, e se manifestam nas margens das estradas, mas garantem o fornecimento de alimentos. O protesto continua até 21 de maio.

-17 de maio: Empresários, banqueiros e legisladores pedem que o governo e o setor rural retomem o diálogo, diante de sinais da irritação da sociedade pela demora do conflito.

-19 de maio: As entidades rurais anunciam que a partir de 21 de maio retomarão a comercialização de grãos para a exportação como gesto para o reinício das negociações.

-23 de maio: governo e patronais agropecuárias retomam as negociações. A reunião termina com declarações oficiais de otimismo e uma clara inconformidade do campo.

-25 de maio: O setor rural convoca cerca de 300 mil pessoas em Rosário (centro da Argentina) para reivindicar o veto à alta dos impostos sobre as exportações de grãos.

-26 de maio: O governo rompe as negociações em função do "tom opositor" do ato em Rosário.

-28 de maio: O campo volta a não comercializar grãos com destino à exportação.

-29 de maio: O governo anuncia uma correção do esquema de impostos sobre as exportações de grãos, mas as mudanças não satisfazem o setor rural.

-17 de junho: O governo envia o decreto de alta tributária ao Congresso para sua discussão.

-5 de julho: O Parlamento, de maioria governista, aprova a iniciativa governamental por 129 votos a favor, contra 122 da oposição, e envia o decreto ao Senado para sua discussão.

-15 de julho: As grandes mobilizações convocadas a favor e contra a política governamental no conflito do campo provocam colapso em Buenos Aires.

-16 de julho: O governo sofre um duro revés após a rejeição do projeto no Senado, com o voto decisivo dado pelo vice-presidente do país, Julio Cobos.

Um comentário:

Renato Rosário disse...

Ah, agora entendi um pouco...

Boa cronologia essa da Folha, Livinha!

Sobre o pessoal saber mais dos EUAses do que dos Arrrrentinos por aqui, é mais ou menos assim: Aqui nas Minas de Gerais, tamos de olho na política de Sum Paulo, mas não sabemos nada do... Espírito Santo, por exemplo.

Gostou da comparação? hehehe

E o pior é que a comparação é pertinente, em termos de economia e influência global.

Beijos!