quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Pela democracia



Por aqui na Argentina, mais dois assassinos julgados e condenados pela justiça. Hoje saiu a pena para dois torturadores da última ditadura militar, Bussi e Menéndez: prisão perpétua. Infelizmente o Bussi vai cumprir prisão domiciliar por seu péssimo estado de saúde (eu queria vê-lo apodrecendo na cadeia), mas é uma grande satisfação ver que, pelo menos em algum lugar da América do Sul, esses assassinos são julgados e condenados.

Enquanto isso, no Brasil, a discussão do julgamento é caracterizada pelo senso comum de "revanchismo". Revanchismo seria eu defender que os torturadores da era militar fossem mandados pras prisões e torturados selvagemente, sem direito à justiça. Não, os que como eu defendem a punição e o julgamento dessa corja se chama JUSTIÇA. Queremos que, sob leis democráticas, eles sejam julgados por seus atos.

Quanto à revisão da lei da Anistia, defendo isso com unhas e dentes. Mas não é essa a questão aqui, exatamente o contrário. O que se discute é que a Anistia era pra crimes políticos, e que a tortura nos porões da ditadura por membros do governo é crime comum, portanto, a Anistia não vale.

Crimes de lesa-humanidade não tem prescrição, e já é hora do Brasil fazer valer esses milhões de tratados de direito internacional que assina. A violação dos direitos humanos é uma questão ainda presente na nossa sociedade, e para crescermos como democracia precisamos fazer justiça.

A reação dos militares brasileiros que fazem circo no Círculo militar é vergonhosa. Eles deviam ser os primeiros, como Instituição, de querer que a justiça seja feita, e assim tentar melhorar a própria imagem. O julgamento desassocia ações individuais de membros do exército da corporação como um todo. E a retórica utilizada dá, no mínimo, vergonha:

“A anistia de 1979 não era para idealistas que rompiam com a legalidade na esperança de um país melhor. Era anistia para marxistas, marxistas-leninistas, revolucionários maus, perversos, que não perdoam a derrota”. (General Sérgio Augusto Coutinho, ex-chefe do CIE) - Em Carta Capital

Poupem-me da palhaçada.

Mais que nunca, o Brasil precisa recuperar essa memória. E para quem pensa coisas do tipo: "mas e o julgamento dos terroristas?", por favor, nem perde seu tempo comentando aqui. Vai ler um pouco mais sobre o assunto e se informar, antes de falar merda.

Recomendo:

Um direito universal
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