terça-feira, 9 de setembro de 2008

"Entre "no me olvides" ...

hemos crecido y visto el mundo en los diarios
el comunismo resultó complicado
lo tuyo es mío y lo mío es mío
nos ha llevado a la indiferencia
tenés excusas, los otros tienen
que te mantengan para eso están
sos el burgués mas corrompido que existe
y te engañas pensando que sos un hippie
vos explotas a todos y no das nada
y eso es ser el peor capitalista

Andres Calamaro, Pato trabaja en una carnicería

Eu costumo dizer que tenho momentos de crise. Como todo mundo. Os meus acontecem pelo menos umas 2 vezes por ano. A de 2007 foi complicada, precisei até de psicólogo pra sair dela, de verdade. Mas na maioria das vezes elas são inocentes e me ajudam a me pensar, e eu até gosto disso. São típicas crises de "rebeldes sem causa". Me sinto sufocada, acredito menos e menos em qualquer tipo de instituição, e até nas pessoas. Fico bem pessimista, me visto mal (pra algumas pessoas isso é uma constante), como mal, bebo mais café que nunca. E fico andando por aí, só pensando em tudo que eu mudaria se pudesse. E acabo não mudando muita coisa... quer dizer, no mundo, porque em mim, mudo muito.

Tudo isso pra dizer que estou em um desses momentos. E o que eu acho mais interessante das minhas crises é que elas têm trilha sonora. E a da vez é Calamaro.

Andres Calamaro é um cantor argentino de cabelão enrolado, óculos escuro só pra fazer estilo, magrelo e com voz meio rouca. Todo o estilinho que eu gosto de um perfeito rebelde sem causa. Claro, associação direta com Noel Gallagher. Na verdade, desde dele nenhum cantor me deixava tão inquieta e transtornada.

Lá nos meus 14, 15 anos, quando eu era fanática pelo Oasis, ninguém entendia bem o porque. Claro que tinha todo meu lado adolescente por trás, e fui quase uma goupie. Mas essa fixação por um ídolo passou. O que não passou foi essa sensação estranha cada vez que escuto uma música deles. Por mais ridículo que pareça, Noel Gallagher consegue expressar muitas das minhas angústias em suas músicas. Principalmente pelo seu cinismo.

E é isso que eu também encontrei no Calamaro. Essa cara-de-pau, de falar coisas que normalmente não se diz por aí, ainda mais se você quer ser um cantor de sucesso. Afinal, ou você é otimista, ou um deprimido suicida como Kurt Cobain. Mas e as pessoas que, como eu, não olham pro nascer do sol e acham bonito, têm medo de casais que se declaram em público, não agüenta relações grudentas, DETESTA discutir relações, não se importa em dizer pra alguém "tô a fim de você" sem ficar fazendo joguinhos idiotas, pessoas assim, que apenas somos reclamões, mas que não queremos nos matar nem nada parecido. Nós, escutamos Noel Gallagher... e Calamaro!

Não tenho paciência nem pra por fotos nem links... então coloco alguns trechos de músicas.

Adoro como os dois, Noel e Calamaro, não subvalorizam o amor:

¿De qué hablamos cuando hablamos de amor?
¿Por qué cantamos canciones de amor?
Si suena mal y nunca tienen razón,
no se puede vivir del amor.
(...)
Que difícil que es vivir sin amor
pero sin fortuna es mucho peor
lo dijo Pepe por televisor
Calamaro, No se puede vivir del amor

If your leaving will you take me with you,
I’m tired of talking on my phone,
There is one thing I can never give you,
My heart will never be your home
Oasis, Stand by Me
E pra mostrar toda minha contradição...

Flaca,
no me claves tus puñales
por la espalda tan profundo
no me duelen, no me hacen mal
lejos en el centro de la tierra
las raíces del amor
donde estaban quedarán.
Entre "no me olvides"
me dejé nuestros abriles olvidados
en el fondo del placard del cuarto de invitados
eran tiempos dorados, un pasado mejor.
Aunque casi me equivoco y te digo
poco a poco, no me mientas
no me digas la verdad, no te quedes callada
no levantes la voz, ni me pidas perdón.
Aunque casi te confiese que también
he sido un perro compañero
un perro ideal, que aprendió a ladrar
y a volver al hogar para poder comer
Flaca,
no me claves tus puñales
por la espalda tan profundo
no me duelen, no me hacen mal
lejos en el centro de la tierra
las raíces del amor
donde estaban quedarán.






Ps: essa é a postagem 99... será que na 100 o Google me dá um presente? HAHAHAHAHA!

2 comentários:

Túlio disse...

Nossa, essa sua descrição de crise está parecendo a minha vida ultimamente. Devo estar em uma das brabas então!

Lívia disse...

Pois é, Túlio, como eu disse, nós, "rebeldes sem causa", e nossas crises existenciais...

Aquele meu cd do Calamaro que vc viu aqui em casa já quase furou de tanto que escuto. Recomendo.