quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

O Rio de Janeiro é maravilhoso pra quem?

Ele estava sujo, descalço, descabelado e sem dentes. A imagem típico de um mendigo. Mas com um imenso sorriso no rosto: "Eu sempre quis saber como era tocar num negócio desses".

Vi ontem, quando passei por uma loja de eletrodomésticos numa rua. O mendigo tocava um teclado de computador. Feliz. Apertava as teclas e sorria. O computador estava desligado, ele nem via o efeito do seu ato. Mas estava feliz.

Isso num bairro de classe média alta no Rio de Janeiro. Isso se chama desigualdade social.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Viajando e cantando

No domingo 01/11 decidimos pegar nosso super carro alugado e ir de Bariloche a San Martín de los Andes, pelo caminho dos 7 lagos. Já começamos bem, errando o caminho e parando na fronteira chilena.

Depois encaramos uma estrada de terra BIZARRA, mas nosso amado Peugeot aguentou firme, e fomos até o final.

O caminho é mesmo um perrengue. Mas faria de novo todas as vezes que pudesse. A paisagem é inexplicavelmente linda. E fazer essa viagem bem acompanhada dá outro sentido à tudo que vimos.

Minha mamy emocionada, quase chorando no Lago Espejado, e todos cantando ao som de Calamro e de Juli (pra nós, intimos) Venegas.

Porque nós só tínhamos 3CDs: Calamaro cantando tango, Uma seleção de melhores do Calamaro e o Acústico da Juli. Todos meus, claro. E mamy acompanhava Calamaro com a letra, toda feliz, todos cantando juntos:

"No te preocupes Palomaaaaaaaaaaaaaaa"

Felizes.

Mas a descoberta musical da viagem foi essa música linda com a participação da Mairsa Monte, no acústico da Juli. A voz da Marisa quase oculta a da Juli, mas a música é lindinha demais.

Assistam aqui, vale a pena (o blog não quer ajudar e não consigo subir aqui).


Combina com essa paisagem, não?



sábado, 28 de novembro de 2009

Tem horas que é melhor não entender

Impressionante como uma música linda pode ter uma letra tão idiota.

Flightless Bird, American Mouth

I was a quick wet boy
Diving too deep for coins
All of your straight blind eyes
Wide on my plastic toys
And when the cops closed the fair
I cut my long baby hair
Stole me a dog-eared map
And called for you everywhere

Have I found you?
Flightless bird, jealous, weeping
Or lost you?
American mouth
Big bill looming

Now I'm a fat house cat
Cursing my sore blunt tongue
Watching the warm poison rats
Curl through the wide/white fence cracks
Kissing on magazine photos
Those fishing lures thrown in the cold and clean
Blood of Christ mountain stream

Have I found you?
Flightless bird, climbing, bleeding
Or lost you?
American mouth
Big bill, stuck going down

E ainda assim eu a escuto o dia todo. O que talvez me faça ser mais idiota que a letra.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Não sou cristã, logo não perdôo.

Tenho que fazer um post melhor sobre o assunto, mas só como introdução, sou a mais nova viciada nos livros da série "Twilight". E, claro, fui ao cinema esse fnal-de-semana ver "New Moon". E não gostei.

Meus amigos/conhecidos que são fãs não entendem muito bem o porquê. E, sem tentar contar muito o livro, vou tentar explicar, numa tentativa de me entender.

O "New Moon" é o seguno livro. Nele, logo no início, o Edward (vampiro) vai embora e deixa a Bella sozinha, alegando que não gosta mais dela (mas, claro, era "pelo bem dela"). Ela sofre horrores, mas horrores, mesmo. E aos poucos vai se recuperando, com a amizade que cria com o Jacob (lobisomem). No final, ela larga tudo pra salvar o Edward. E aí que o filme me incomoda.

No livro ela vai até a Itália, salva o Edward, e são muitas e muitas páginas dela sofrendo, ainda achando que ele não gosta mais dela, que quando eles voltarem aquilo acabou. Mas muitas, muitas páginas. E no filme eles mal se tocam e o Edward já pede desculpas, ela rapidinho acredita e tudo certo, vamos enfrentar os vampiros malvados.

Essa, digamos, "cura" rápida da Bella que tanto me incomodou. E acho que pra muitos isso é uma bobeira, e aí que eu entro na parte de autoanálise: só quem já passou por um abandono desses sabe a intensidade daquelas páginas.

Alguém que diz que não gosta tanto assim de você, e vai embora (ou te deixa ir). E você fica ali, sem reação, sem acreditar, porque você sentia que aquele sentimento era verdadeiro. E lá estava a pessoa responsável por ele desmentindo tudo. É ficar sem chão, literalmente perdido, porque dá uma sensação de incapacidade, de que não somos capaz de entender quando alguém quer a gente. E o buraco, que ela tanto fala no livro, é tão profundo, e tão tentador meter-se nele... que nos metemos.

Acho que um dia todos saímos desse buraco. Seja no caso da Bella com a nova amizade, seja com uma mudança de vida e a realização dos nossos sonhos. De uma maneira de outra, saímos. Mas a cicatriz, essa fica. Parece que o buraco tá sempre ali do seu lado, e volta e meia você tropeça perto, quase como se fosse pra lembrar que ele é real. E vai ser pra sempre.

Acho que qualquer tipo de abandono por quem confiamos -pais, namorados, amigos- deixa esse buraco aberto pra sempre.

E por isso era essencial pra mim a dificuldade da Bella de acreditar que era mentira dele, de acreditar na própria volta dele. O fato dele ter escolhido o rumo da vida dela por ela, sem deixar a opção. E na dificuldade de perdoar e voltar a confiar.

Ela conseguiu,perdoou. E não, e sei que nunca o farei. Superei, isso é óbvio, aprendi a reconfiar (com dificuldade), e hoje pode-se dizer que aceito o que aconteceu. Mas não perdôo. Porque aquela coisa que eu senti no momento em que escutei que o que eu sentia estava errado, que estava tudo errado, aquilo eu não apago nunca mais de mim. Asim como não consigo apagar o fato de que decidiram por mim, sem em dar a opção, da maneira mais covarde.

E ver isso retrato num romance adolescente só me faz pensar uma coisa: que patético. Agir dessa maneira tão banal, tão lugar comum... e perder tudo por isso.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

O sentimento nos trouxe de volta


Pra muitas pessoas o dia começou tenso na 6a feira passada. Afinal, era 6a feira 13, o dia que muitos acreditam ser de azar. Alguns, como Zagallo, acham que é o contrário, de sorte. Olha, confesso que o Zagallo não é exatamente algum por quem nutro simpatia, mas agora concordo com ele: minha 6a feia 13 foi um dia espetacular.

No sábado dia 07/11 eu não puedo ir ao Maracanã, não estava no Rio, e por isso não pude ver pessoalmente o Vasco conquistar sua volta à elie do futebol brasileiro. Num bar ao lado de uma igrejinha em Bragança Paulista, interior de São Paulo, arrumada pra um casamento, eu chorei de emoção no apito final.

Mas na 6a feira 13 eu estava lá. Sofri com o gol do América de Natal, foi como sentir novamente a tristeza dos últimos anos corroendo minha alma. Mas continuei apoiando, e cantando. Porque como deixamos claro esse ano, o sentimento não para.
Dizem que quem ama perdoa, segura a mão em momentos difíceis, ajuda a levantar a cabeça e a dar a volta por cima. Falem o que quiserem, sacaneiem como quiserem, mas em 2009 a torcida vascaína mostrou todo esse amor pelo belo time da colina.

Felizmente fomos correspondidos. Sim, eu gritei e comemorei o camepeonato, mesmo sendo a 2a divisão. E pra quem diz "eu me recuso, se fosse meu time não pagaria esse mico", então, sinto muito, a verdade é que você não ama mesmo seu time. E nem adianta aquele papo de "é que meu time não cai". Usei muito essa frase. Acredite: todos um dia caem. E aí descobrimos os que realmente são torcedores e os que só aparecem quando o time ganha.

Ano passado comemoramos o fim da ditadura Eurico, mas sofremos com o rebaixamento. Pra mim 2009 foi só de conquistas. Dinamite não só esta organizando a casa, mas trazendo novos sócios, fazendo com que a gente volte a ter aquela relação íntima com o time. E voltamos com a cabeça levantada pra primeira divisão. Não podemos esquecer que a maioria dos times não consegue o campeonato quando volta (caso do Botafogo. O Fluminense, nem comento, só volta pagando). E nós conseguimos.

Então eu comemoro muito, sim. Comemoro que o Eurico é um passado triste, mas superado; que o Dinamite tá aí; que voltamos pro nosso lugar; e que sim, ainda temos um longuíssimo caminho pela frente, mas o que realmente importa é que

O CAMPEÃO VOLTOU!


terça-feira, 10 de novembro de 2009

O copo metade cheio...

De volta de mais uma maratona de viagens. Muita coisa pra contar, fotos pra mostrar.

Mas ontem voltando de vez pro Rio fiquei pensando nas coisas que mudam nossas vidas. Tudo começou com o pensamento de que se eu não tivesse entrado na comunidade "Brasileiros na Argenina" do orkut eu não teria respondido a uma proposta de trabalho, logo não teria me mudado e conhecido a Gaby, e, claro, não teria conhecido ele. Aí lembrei dessa publicidade, espalhada pelas ruas de Buenos Aires:


E ri. Naquele momento eu já sabia que precisava muito mais que um pé na bunda pra me derubar. Mas sou orgulhosa, sim -nas palavras da minha irmã, sou taurina demais- e queria ter dado eu o pé na bunda, numa relação que eu sempre soube que terminaria tão patetiamente como começou. Mas caí na lábia do mini-Videla e ele, mais esperto que eu, terminou antes. Sim, é ridículo, mas minha relação anterior terminou nesse nível, numa briguinha infantil de egos.

Pois é. Sem aquele pé na bunda, hoje eu não estaria com o meu Bundão.

Alguns dias até eu fico otimista!

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Eu ainda não sei esperar...

Outra dia pensei nessa música. tanto tempo que não escuto. Na verdade desde os meus 16 anos tô meio saturada de Legião Urbana. Escutei tanto que dez anos depois ainda estou cansada. Mas nunca tinha reperado nessa letra. Melhor, nunca tinha me identificado, nunca tinha entendido. Hoje, quando eu peguei o táxi no aeroporto depois de mais uma da nossa rotina de despedida, ela fez todo sentido.

Sete cidades

Já me acostumei com a tua voz
Com teu rosto e teu olhar
Me partiram em dois
E procuro agora o que é minha metade

Quando não estás aqui
Sinto falta de mim mesmo
E sinto falta do meu corpo junto ao teu

Meu coração é tão tosco e tão pobre
Não sabe ainda os caminhos do mundo

Quando não estás aqui
Tenho medo de mim mesmo
E sinto falta do teu corpo junto ao meu

Vem depressa pra mim
Que eu não sei esperar
Já fizemos promessas demais
E já me acostumei com a tua voz
Quando estou contigo estou em paz
Quando não estás aqui
Meu espírito se perde, voa longe

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Com vocês, Túlio.

Tá todo mundo falando nele. E eu, como fã número 1 (no sentido de primeira fã, porque agora ele deve estar cheio de "menininhas inocentes" gritando por ele e pendurando fotos na parede) já tava me sentindo ofendida por não fazer o meu post.

O Túlio é a nova sensação da Internet brasileira. Pra muitos, está aproveitando seus 15 minutinhos de fama. Mas pra mim, que sou fã tem tempo (e gosto de divulgar meu mérito de primeira fã), esse fuzuê todo nem chama atenção. Afinal, nossos ídolos sempre são importantes, né?

Ele é O cara para tomar uma boa cerveja/um bom vinho (ou não tão bom assim) regado por empanadas. É só mandar um singelo sms e o Túlio vai lá. Ele vai em todas as minhas despedidas, e sempre pede mais uma. E quando a gente tenta fingir que não vive só de alcool, ele topa um starbucks, mas se eu ofereço creme pras mãos ele esculhamba logo: "Porra, só porque saio com amigas não significa que vou virar viado", ou algo do gênero. E mesmo ele agora sendo uma pessoa (quase) otimista, enxergando essa tal beleza da vida que muitos dizem existir, ele ainda é meu companheiro de reclamações preferido. E até a minha mão lê o blog dele. Mas o Túlio me conquistou de vez uma vez que, nem lembro porque, me chamou de "Jacu" no twitter.

Tudo isso só pra explicar porque eu sou fã antes do pagodeversion. Ah, claro, não posso deixar de falar que ele é fã do Oasis, do Calamaro, de cinema -programas que sempre combinamos de fazer juntos, mesmo que alguém fure, caso do Oasis- e faz as vinhetas do Family Guy. Só pelo Family Guy eu e meu irmãos já achamos que o Túlio deveria ganhar aquela medalha de honra que o Lula deu pro Tony Ramos mês passado.

Mas pros que ainda acham que é necessário explicar porque o Túlio faz sucesso muito além do pagodeversion, leia sua última entrevista. Pros preguiçosos, deixo essa parte que explica tudo:

Zannin – B#9: E o que rolou de resultado? Quase 20 mil views nos seus vídeos, entrevista no B#9 (hehe) e o que mais?
TB: Rolaram entrevistas em sites, jornais, revistas, vários posts em blogs que nunca ouvi falar, um possível contrato para comercializar música para celulares, um tweet do vocalista do Exaltasamba dizendo que curtiu a versão para “Me apaixonei pela pessoa errada” e e-mails de duas ex-namoradas.


Vai dizer que ele não é um ídolo?

:P

sábado, 26 de setembro de 2009

Quando a vida imita a arte...

Começou o Festival do Rio. Dias de loucura e fanáticos fechados nas salas de cinema. Por acaso todos os filmes que comprei ingresso são falados em espanhol, e se não fosse pelo Almodóvar, seriam todos argentinos. Freud explica...

Mas quero falar do filme que fui ver hoje, conselho da mamy, "Lluvia". Um filme argentino, que se passa em Buenos Aires, com a seguinte sinopse no festival:

Buenos Aires está debaixo de chuva há três dias. Após ter abandonado o homem com quem viveu por nove anos, Alma está morando temporariamente em seu carro. Presa na tempestade, se sente solitária e insegura. Roberto, de volta ao país após 30 anos, também se sente solitário; tudo o que tem na Argentina é um pai em coma, com quem nunca se relacionou, e um apartamento que precisa ser esvaziado. No meio do trânsito, a porta do carro de Alma abre inesperadamente, e Roberto entra. Ela, mesmo sem conhecê-lo, deixa que entre, e o encontro muda o curso de suas vidas nos dias seguintes.

Eu nunca tinha me identificado tanto com a situação de um personagem como aconteceu hoje. Tive uma semana de cão. Nada de grave aconteceu, diriam os demais, mas pra mim, sim: chuva. Chuva forte, daquelas que nem adianta usar o guarda-chuva, com muito vento. Desde segunda-feira. E segunda-feira eu, por razões que não vou explicar agora, estava de chinelo e bermuda. E fui pra Niterói. E depois pro centro da cidade. Cheguei em casa absurdamente molhada, com meu material igualmente ensopado.

Quinta-feira, tudo de novo. E parecia que não tinha fim. Que era uma piada de alguém, que era meu drama pessoal.

Hoje já saí de casa preparada pro dilúvio, e também preparada pra voltar de mau humor. Tinha que ir ao centro e depois na PUC que, pra quem conhece o Rio, sabe que é um lugar horroso pra chegar, com muito trânsito.

Aí resolvi seguir o conselho da mamy e fui ao cinema. E lá vivi profundamente as angústidas da Alma, em seus 3 dias de chuva interminável em Buenos Aires, morando no seu carro. Cada vez que ela saía e se molhava toda, eu sentia um arrepio e uma tremenda compaixão, queria gritar no cinema "Eu te entendo!". Não, não gritei. Mas não fiquei quieta na cadeira, o senhor perto dava aqueles olhares de reprovação, mas era mais forte que eu. Estava angustiada, sentia que era a minha semana punk que passava na tela.

Não vou dizer que saí do cinema feliz, até porque estou em uma fase reclamona. Mas pelo menos me senti menos injustiçada com tanta chuva, pelo menos não choveu o resto do dia e pelo menos não cheguei em casa de mau-humor. Sorte da minha mãe.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

De mãos atadas...

É tão ruim quando temos um problema, sabemos como solucioná-lo, mas não podemos. E aí, fazer o que, então?

Queria voltar naquele tempo que a gente deitava à noite, juntinhos, e ficava só dividindo sonhos, que pareciam tão impossíveis. Eles reais não tem aquele gosto que a gente esperava. E aquela realidade, que parecia tão pequena, e era vista só como uma etapa, agora tornou-se o sonho, e parece ser o único lugar onde o mundo faz sentido. Ou melhor, onde ele não faz sentido algum. E por isso é o lugar em que quermos estar.

Repito como a saudade é uma merda.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Só pensando...

Ontem na minha aula da pós tive mais um momento de crise: vários jovens da minha idade que ainda tem uma visão super limitada de Internet e seus afins.

Pra quem não sabe, eu sou historiadora. E sim, eu adoro seriados dos EUA, filme pastelão, música pop, Harry Potter, e web 2.0 de todo o tipo (facebook, twitter, orkut, blog, tudo que a Internet me permite!). Tenho esse lado da comunicação social bem forte, afinal, quase foi a minha opção profissional.

E, juro, não vejo nenhuma contradição nisso. Pros que perguntam se eu adoro o History Channel e eu respondo que não, que vejo seriados sempre que ligo a TV, tento explicar educadamente: eu já me dedico à História -e ainda estudo governos autoritários, tema pesado, escuto testemunhos de tortura e por aí vai-, quando eu quero RELAXAR, vou assistir besteiras. Ninguém pode ser 100% alguma coisa, isso inclui não ser 100% histriadora, como ninguém é 100% médico, economista etc.

Ou seja, a decepção é essa: sou uma pessoa normal. Bebo, vou ao Maracanã, faço compras, escuto música sem ser MPB da década de 1960, vejo comédias românticas. Sou uma mulherzinha como a maioria das outras.

Tive a sorte de conseguir uma orientadora que tem o mesmo estilo. Conversamos sobre Grey's Anatomy, sobre compras, discutimos futebol. E, quando é hora de trabalhar, trabalhamos. E ponto, como todos os demais mortais.

Espero ter destruído o mito. Seus professores são, normalmente, tão normais como você. E digo normalmente porque eu ainda vejo pessoas com uma cabeça tão limitada que acham que ter esse lado "normal" é incompatível com esse tipo de profissão. Ou seja, pra eles historiador é aquele que anda largado, mal toma banho, não vê TV, só escuta música brasileira alternativa, e todos os outrs clichês que conhecemos.

Sabe o que eu acho mais legal? Quando eu vejo um "ídolo" desse povo que leva a vida no meu estilo, como Chico Buarque. Que é alternativo, cabeça aberta e de esuqerda no Leblon e em Paris. Por isso que eu te amo, Chico!

domingo, 13 de setembro de 2009

Quando a gente não pertence...

Voltei de mais uns dias em Lima. Fui outra vez atrás dele. Ia pra SP, mas terminei voltando pra Lima. Duas semanas de rotina, na medida do possível: num hotel e com ele doente. Mas foram 2 semanas tão felizes como eu não tinha há tanto tempo... Parece que voltei à fevereiro de 2008, antes do mundo ficar ao contrário. E como diz a música, ninguém reparou. Só a gente.

Saudade pode ser ruim demais.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

"A esperança... dança na corda bamba de sombrinha E em cada passo dessa linha, pode se machucar..."


"O PT jogou a ética no lixo, vai ter que achar outra bandeira. O partido deu as costas à sociedade, ao povo e às bandeiras tão caras para tantas pessoas. Posso dizer que tenho vergonha de estar no PT" - Senador Flávio Arns (PT-PR)


"Fico sem mandato, mas não fico no PT. Não estou nervoso nem decepcionado, estou envergonhado, profundamente envergonhado"
Senador Flávio Arns (PT-PR)

Todos, com o mínimo de bom-senso, estamos. Vergonha alheia, que fique claro. Porque eu não me envergonho de tudo que fiz, até a vitória em 2002. Eu acreditei em um projeto, que foi desvirtuado por Lula a partir de sua chegada ao poder. Mas o projeto, continua pra muita gente.

Ontem foi um dia negro para a Democracia brasileira.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Da série "coisas que os pais fazem sem noção" 1


Levar os filhos pequenos pra reunião de sindicato.

Pos é, sou filha de sindicalista. Agora é um decepcionado com a política e tal, mas na década de 80, quando morávamos no interior de São Paulo, meu pais era sindicalista. E um belo dia ele, que achava que seus 3 pestinhas tinham consciência social e política (sim, ele achava isso!), resolveu nos levar para uma reunião, todo orgulhoso.

Nós sentamos com a mamy, eu devia ter uns 5 anos, minha irmã uns 6 e o caçulinha 3. Sentamos bonitinhos, mamy dizia "Hoje vamos apoiar o papai, tem que ficar quietinho", e nós ficávamos, éramos bem tranqüilos. Tava tudo indo bem, até que um ser começa a fazer um discurso, e solta a seguinte frase:

-Nós temos que combater a iniciativa privada (algo assim, essas frases clássicas)...


E minha irmã, baixinho, fala:

-Ele disse "privada"...


E pronto. Os 3 começam a rir, descontrolados. Meu pai lá na frente, mais vermelho que um tomate, sem conseguir acreditar no que via. Minha mãe mostrou sua atoridade e conseguiu controlar as pestes. Mas aí, o cara que discursava, deu outro mole, parece que não tinha entendido a situação:

Justificar
-E a iniciativa privada...


E minha irmã, não deixou passar:

-De novo...


Dessa vez não teve ameaça que resolvesse, tivemos que sair do lugar. Meu pai, de coração partido.

Foi algo mais ou menos assim, é o que eu me lembro, o importante é que rimos quando o cara falou "privada". E pros que acham que meu pai era um radical, ele tinha razão: nenhum dos filhos deu certo. Minha irmã trabalha na Globo e é economista. Meu irmão é cientista social, mas odeia e foi morar em NY (na casa do capeta!!!), eu fiz História, continuo nisso, mas na primeira oportunidade fugi do país e juntei com um argentino lindo e ultra capitalista.

Já viram "A culpa é de Fidel"? Minha infância foi bem parecida. Na cena que levam os filhos pra passeata, ri horrores, me identifiquei muito. Nós íamos a carreatas, lembro das nossas camisas de 89 "Minha mãe vota no Lula, e a sua?".

Não, eu não me traumatizei. Pelo contrário: conto tudo isso com muito orgulho, e hoje nos juntamos os 5 e rimos juntos disso. Por isso que política é algo tão cotidiano pra mim. Acreditar na nossa capacidade de mudar o mundo, isso é bom demais.
Continuo cheia de idéias. Mas não consigo escrever. E me sinto culpada. Aí resolvo estudar, me dedicar à minha carreira. E minha orientadora me diz que eu tenho muita culpa cristã. Aí eu me sinto idiota e hipócrita, já que eu fui criada atéia, e me considero uma. E bate a culpa em relação ao meu ateísmo, apontado como fachada, dominado pela tal da culpa cristã.

E o que eu faço? Pa me sentir menos culpada, ecsrevo qualquer coisa no blog. E alimento a tal da culpa cristã. Se ela é real, ou não, nem sei. Mas ela me fez escrever aqui. Ufa.


PS: Aproveito par dizer que estou em um momento Saramago na literatura O irônico? Comecei por "O evangelho segundo Jesus Cristo". Quero escrever sobre isso. E como afetou minha suposta culpa cristã.

PS2: Meu último psicólogo disse que sempre dsconfia de quem se diz ateu, que não acredita em nada. E qual foi o primeiro "diagnóstico"? Culpa cristã. 2 anos depois, escuto isso da minha orientadora. Ou seja, não resolvi nada comigo mesma. Estou parada no tempo?

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Reflexão do dia



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As malas e eu, eu e as malas

Mais uma vez, perderam minha mala em uma viagem. Dessa vez foi a TAM. A utra foi uma empresa de ônibus na Argentina, vocês podem ver mais aqui. Resumindo minha nova "aventura" com o transporte da América do Sul:

Saí do RJ dia 26, sexta-feira, 06am. Ia pra SP pegar o avião pra Lima. Só que atrasou no Rio e, por 5 min, perdi a conexão em SP. Foi uma confusão, meu vôo era TAM mas operado pela LAN, então eu tinha que fazer check in de novo em SP. E agora a parte bela de tudo: a TAM tem um vôo diário pra Lima, 08:35 am, então fez um acordo com a LAN para ter 2 vôos, só que o do da LAN sai... 08:25am! Ou seja, não tinha outro vôo! Tive que passar a sexta-feira num hotel em Guarulhos acompanhando o drama da morte do Micheal. E sem mala! De acordo com a TAM, minha mala embarcou, eu não. Beleza, né? Perdi a festa de uma amiga em Lima.
Sábado cedinho lá estava eu pra embarcar, tentando não desanimar, essas coisas acontecem e blá-blá-blá. Fui no avião conversando com uma senhora que me deprimiu: 55 anos e só faz turismo de aventura, seu último tinha sido no Paquistão, 170 km ANDANDO em não sei quantos dias. E eu em Cusco mal subiria ladeira! Aí tudo bem, vôo tranquilo, chego em Lima e... nada de mala! Ninguém sabia nada, nem LAN nem TAM! E ainda fui maltratada pelas responsáveis da LAN, pelo menos a da TAM foi um amor. Fiquei 2h nisso até sair do aeroporto. Cheguei no hotel com o Ale e fomos comprar alguma roupa, eu só tinha a roupa do corpo (do dia anterior!). Depois fomos almoçar com a Vane e o Hans, voltei pro hotel e nem consegui sair depois. Mal aproveitei. No dia seguinte, ligo pra TAM e nada, nem sinal da minha mala. Como eu viajava pra Cusco na 2a cedinho, lá fui eu comprar mais roupa: frio de 1 grau em Cusco à noite! Dessa vez relaxei, até sai e tomei uns drinks peruanos com a Vane e uns amigos dela.
Na 2a lá fui eu pra Cusco. Cheguei e fui logo ligar pra TAM pra dar o novo tel de referência e... Marilu, minha querida atendente, achou minha mala! Os experts de SP nunca a enviaram pra Lima, mereço, né? Bom, na 2a à tarde eles a mandaram pra Cusco e lá estava eu, cheia de roupas, com poucas malas (as duas são pequenas), mas feliz da vida com as minhas coisas!

Assim começou a viagem. E as coisas bizarras só foram aumentando.

Hoje li essa reportagem na Folha Online: 90 mil malas são extraviadas todos os dias no mundo. Pronto, LC, eu que tirava tanta onda, virei estatística!

terça-feira, 28 de julho de 2009

Rapidinha

Sim, estive viajando por aí. Sim, tenho muita coisa pra contar e muita preguiça pra escrever.

Mas só quero esclarecer rapidinho: não peguei a tal da Porcina (adoro o nome portenho da gripe!), e continuo sem conhecer ninguém que seja estatística dela.

Só isso.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Não tão popular assim

Dizem por aí (ou melhor, por aqui no RJ), que eu conheço todo mundo. Eu estudei em vários colégios, morei num dos bairros de classe média mais residenciais do Rio, estudei no Colégio mais popular (o Pedro II), trabalhei no pH, estudei em Niterói, e por aí vai. É normal que eu conheça muita gente, e as coincidências da vida ainda aumentaram esse mito, já que até em Buenos Aires fiz amigos que conhecem amigos aqui.

E esses dias eu fiquei pensando: se eu conheço mesmo "todo mundo", por que eu não conheço ninguém que estivesse nos últimos desastres de avião (Gol 2006, Tam 2007 e Air France 2009), todos eles de alguma forma relacionaos com a minha vida, com a minha rotina? E agora a dúvida mais instigante que me persegue nesses dias: por que eu não conheço ninguém com gripe suína? Afinal, também estou no meio dos casos típicos!

Pois é, acho que não conheço tanta gente assi, não... ou talvez, pra ficar longe dessas tragédias, a melhor saída é ser conhecido meu!

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Cena dos próximos capítulos

Atualmente, 2 temas me fazem refletir e querer escrever sobre eles neste blog: a ocupação da USP pela PM e o fim da obrigatoriedade do diploma para exercer a carreira de jornalista.

Como estou super enrolada terminando um trabalho/artigo para segunda, vou ter que deixar pra depois minhas opiniões. Isso significa que talvez nunca volte a estes assuntos (eu me conheço...).

Portanto, queria pelo menos deixar aqui parte da reflexão de Marcos Nobre sobre a USP que saiu dia 16/06 na Folha de São Paulo, da qual compartilho:

O que torna o conflito na USP mais amplo do que os muros da escola é justamente o fato de revelar quão baixo ainda é o nível de democratização da sociedade brasileira.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

A família buscapé versão Minas Gerais


A família do meu pai é bem grande. Minha avó teve 10 filhos (5 homens e 5 mulheres), adotou mais uma mulher e o caçula homem morreu jovem, ainda na década de 80. E, claro, esses muitos filhos tiveram muitos outros filhos mais, e alguns destes também já tiveram filhos. E ainda temos os tios-avós, os agregados, o primo do primo... Eu sei que, oficialmente, somos mais de 30 netos e bisnetos.

E nesse último feriado comemoramos os 80 anos da velhinha. E foi uma delícia! Longe pra chegar, mas depois alguns dias de muito pão-de-queijo, comida mineira da melhor qualidade, cervejinha, pernas pro ar, rede e papo furado. Delícia!

Há 5 anos eu não ia visitar a família. Muitos eu vi quando vinha ao Rio, e até tiveram os que me visitaram em Buenos Aires. Mas eu sentia muita falta de estar entre eles, lá no norte de Minas, naquela longe Januária...

Claro que, como toda família (especialmente as grandes), nem tudo é paz. Todos temos nossos desafetos, e teve até quem resolveu manchar um pouco a festa. Mas eu levo tudo numa boa. Porque os que eu gosto, estar com aqueles que eu amo de verdade, fazem todas essas besteiras ficarem muito pequenas.

E agora bate aquela saudade de estar de novo lá, e a tristeza em saber que dificilmente a gente consegue juntar (quase) todo mundo de novo...

Na foto: Vovó com seus netos, ou melhor, quase todos, faltando Binho, Felipe, Fé, Glauco e Cintia.

sexta-feira, 5 de junho de 2009


'Cause it's a bittersweet symphony this life
Trying to make ends meet, you're a slave to the money then you die
I'll take you down the only road I've ever been down
You know the one that takes you to the places where all the veins meet, yeah
No change, I can't change, I can't change, I can't change,
but I'm here in my mold , I am here in my mold
But I'm a million different people from one day to the next
I can't change my mold, no, no, no, no, no

Well, I've never prayed,
But tonight I'm on my knees, yeah
I need to hear some sounds that recognize the pain in me, yeah
I let the melody shine, let it cleanse my mind , I feel free now
But the airwaves are clean and there's nobody singing to me now

No change, I can't change, I can't change, I can't change,
but I'm here in my mold , I am here with my mold
And I'm a million different people from one day to the next
I can't change my mold, no, no, no, no, no

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Não só eu apoio


Eu apoio as cotas na Universidade pública. Tanto a cota racial como a cota de renda. E sei que minha opinião é muito polêmica, especialmente no meio social em que vivo, no qual praticamente todos são afetados negativamente pela medida. E continuo apoiando, cada vez com mais certeza de que isso é parte de um longo caminho, mas uma parte necessária.

O fato de eu apoiar as cotas não significa que eu acho que elas, sozinhas, resolvem o problema da exclusão e da péssima educação da maioria da população brasileira. Acredito que as cotas fazem parte de um grupo de políticas necessárias para permitir uma educação democrática nesse país vergonhosamente tão desigual. Sei que são necessárias medidas a longo prazo, principalmente a melhora do ensino fundamental e médio, o que permitiria a todos uma disputa igual ao acesso à universidade. Mas o que dizer aos que estão agora no momento de ingresso: "Sinto muito, mas você nasceu alguns anos (ou décadas) antes da hora"?

E sim, acho que o país possui uma dívida com os negros e índios. Não, não acho que eles são inferiores e por isso precisam ser favorecidos. Esse é o argumento mais medíocre dos que se colocam contra tais medidas. O que eu acho, e minha formação como historiadora só aumenta esta certeza, é que esses grupos sociais, por sua etnia, foram durante séculos explorados e excluídos da nossa sociedade que, por esses mesmo período, lutou para ser e manter-se elitista e branca-européia. A Proclamação da República e a Abolição da Escravidão, no final do século XIX, não foram fórmulas milagrosas de inserção social, e isso todo mundo pode ver no dia-a-dia. Nenhum tipo de política social foi feita, indenização paga, e foi como se negros e índios simplesmente tivessem que "esquecer" e "perdoar" toda a exploração sofrida para serem "iguais". E nunca foram iguais. Nem a igualdade na Constituição atual garante esta igualdade na realidade. Somos, sim, um país de "iguais" onde alguns são "mais iguais" que outros.

Por isso, e por muito mais, eu defendo, sim, o sistema de cotas. E fiquei feliz que não sou a única. Abaixo copio o excelente artigo do jornalista Elio Gaspari que saiu ontem na Folha de São paulo sobre o tema. Os cotistas responderam de forma excelente aos seus críticos.

ELIO GASPARI

As cotas desmentiram as urucubacas

Os negros desorganizariam as universidades, como a Abolição destruiria a economia brasileira


QUEM ACOMPANHASSE os debates na Câmara dos Deputados em 1884 poderia ouvir a leitura de uma moção de fazendeiros do Rio de Janeiro:
"Ninguém no Brasil sustenta a escravidão pela escravidão, mas não há um só brasileiro que não se oponha aos perigos da desorganização do atual sistema de trabalho."
Livres os negros, as cidades seriam invadidas por "turbas ignaras", "gente refratária ao trabalho e ávida de ociosidade". A produção seria destruída e a segurança das famílias estaria ameaçada.
Veio a Abolição, o Apocalipse ficou para depois e o Brasil melhorou (ou será que alguém duvida?).
Passados dez anos do início do debate em torno das ações afirmativas e do recurso às cotas para facilitar o acesso dos negros às universidades públicas brasileiras, felizmente é possível conferir a consistência dos argumentos apresentados contra essa iniciativa.
De saída, veio a advertência de que as cotas exacerbariam a questão racial. Essa ameaça vai completar 18 anos e não se registraram casos significativos de exacerbação. Há cerca de 500 mandados de segurança no Judiciário, mas isso nada mais é que a livre disputa pelo direito.
Num curso paralelo veio a mandinga do não-vai-pegar. Hoje há em torno de 60 universidades públicas com sistemas de acesso orientados por cotas e nos últimos cinco anos já se diplomaram cerca de 10 mil jovens beneficiados pela iniciativa.
Havia outro argumento: sem preparo e sem recursos para se manter, os negros entrariam nas universidades, não conseguiriam acompanhar as aulas, desorganizariam os cursos e acabariam deixando as escolas.
Entre 2003 e 2007 a evasão entre os cotistas na Universidade Estadual do Rio de Janeiro foi de 13%. No universo dos não cotistas, esse índice foi de 17%.
Quanto ao aproveitamento, na Uerj, os estudantes que entraram pelas cotas em 2003 conseguiram um desempenho pouco superior aos demais. Na Federal da Bahia, em 2005, os cotistas conseguiram rendimento igual ou melhor que os não cotistas em 32 dos 57 cursos. Em 11 dos 18 cursos de maior concorrência, os cotistas desempenharam-se melhor em 61 % das áreas.
De todas as mandingas lançadas contra as cotas, a mais cruel foi a que levantou o perigo da discriminação, pelos colegas, contra os cotistas.
Caso de pura transferência de preconceito. Não há notícia de tensões nos campus. Mesmo assim, seria ingenuidade acreditar que os negros não receberam olhares atravessados. Tudo bem, mas entraram para as universidades sustentadas pelo dinheiro público.
Tanto Michelle Obama quanto Sonia Sotomayor, uma filha de imigrantes portorriquenhos nomeada para a Suprema Corte, lembram até hoje dos olhares atravessados que receberam ao entrar na Universidade de Princeton. Michelle tratou do assunto em seu trabalho de conclusão do curso. Ela não conseguiu a matrícula por conta de cotas, mas pela prática de ações afirmativas, iniciada em 1964. Logo na universidade onde, em 1939, Radcliffe Heermance, seu poderoso diretor de admissões de 1922 a 1950, disse a um estudante negro admitido acidentalmente que aquela escola não era lugar para ele, pois "um estudante de cor será mais feliz num ambiente com outros de sua raça". Na carta em que escreveu isso, o doutor explicou que nem ele nem a universidade eram racistas.

Sou só eu?

Me revolta a história do menininho que tá sendo criado pelo padrasto aqui no Brasil e a justiça vai ter que decidir se o pai dele, norte-americano, tem ou não o direito de criar o filho nos EUA.

Juro que nem entendo a disputa. Só porque o menino é brasileiro então o pai perde todos os direitos sobre ele?

Seguindo essa lógica, já que meu namorado é argentino, se nós temos um filho, eu venho pro Brasil com a criança sem dizer que não volto pra Argentina (o que eu já considero seqüestro), eu morro, então o meu filho é criado pelo padrasto???? Como???

É completamente contraditório o que a justiça brasileira está fazendo. Há pouco tempo definiu-se pela gurada compartilhada em casos de divórcio, exatamente pelo direito do pai, e agora vem com esse argumento nacionalista? Patético.

domingo, 31 de maio de 2009

Além de Shakespeare

Como já disse, estou tirando o atraso dos clássicos da Literatura. Já tem algumas semanas que resolvi ler On the Road, a famosa aventura norte-americana que influenciou a geração de 1960/70, e o faz até os dias de hoje.

Mas, confesso que me decepcionei um pouco. E assumo que definitivamente o estilo digamos, "inglês"(no sentido do idioma, claro) de literatura não é o meu preferido.

Claro que existem obras maravilhosas, como o que comentei uns posts atrás, Admirável Mundo Novo. Mas On the Road não é, pra mim, mais que um livro comum. A verdade é que tenho um pé atrás com a literatura dos Estados Unidos, que, sem nenhum tipo de discurso pseudo-intelectual e político, considero vazia, prática e objetiva demais. Os livros que normalmente me cativam neste idioma são ingleses, densos, como, claro, Shakespeare. Os livros norte-americanos me dão a sensação de leitura de sala de espera: são livros práticos, pra passar o tempo enquanto esperamos outra coisa, e não o objetivo do momento em que vivemos. Livros, pra mim, são bons quando eles ocupam todo o meu pensamento, todo o dia, e não apenas no metrô pra ajudar a me distrair,

E tudo isso me faz pensar: se pra eles esse é um livro tão espetacular, imagine só se os norte-americanos lessem outra coisa além deles mesmos. Um pouco de literatura fantástica latino-americana, ou um Saramago. Como eles perdem por, na maioria dos casos, não sair daquele mundinho fechado em que vivem...

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Cadena de poesía por Benedetti


Acabei de ler sobre o falecimento do escritor uruguaio Mario Benedetti. Li num jornal argentino, infelizmente, os meios de comunicação do Brasil não parecem achar que isso merece algum destaque (salvo um pequeno link à esquerda na Folha de São Paulo).

Esta é mais uma das notícias que não consigo me conformar. Sei que ele já estava com 88 anos, doente, mas não me importa. A perda de uma pessoa tão fantástica sempre me causará tristeza, e inconformismo.

Não vou me estender muito, deixo as palavras para Saramago, que há pouco tempo fez um post sobre o estado de saúde de Benedetti. Nesse post, ele divulga um blog dos weblogs do Clarín com uma homenagem linda e à altura (se isso é possível): Cadena de poesía por Benedetti. Um email, que começou com a mulher de Saramago, Pilar, e diz:

Mario Benedetti está pasando horas malas. Hemos pensado que podíamos ponernos a leer sus poemas por todo el mundo y así ayudarlo en este momento. Un poema, por si no tenéis algún libro suyo a mano. Y por si queréis pasarlo a otros amigos.


Neste blog, encontrei também um dos meus poemas preferidos do autor, que reproduzo aqui, para deixar minha singela lembrança. E reiterar de que eu ainda acredito que sim, podemos estar do lado certo das coisas.

Me sirve no me sirve
(Mario Benedetti)


La esperanza tan dulce
tan pulida tan triste
la promesa tan leve
no me sirve

no me sirve tan mansa
la esperanza

la rabia tan sumisa
tan débil tan humilde
el furor tan prudente
no me sirve

no me sirve tan sabia
tanta rabia

el grito tan exacto
si el tiempo lo permite
alarido tan pulcro
no me sirve

no me sirve tan bueno
tanto trueno

el coraje tan docil
la bravura tan chirle
la intrepidez tan lenta
no me sirve

no me sirve tan fría
la osadía

si me sirve la vida
que es vida hasta morirse
el corazon alerta
si me sirve

me sirve cuando avanza
la confianza

me sirve tu mirada
que es generosa y firme
y tu silencio franco
si me sirve

me sirve la medida
de tu vida

me sirve tu futuro
que es un presente libre
y tu lucha de siempre
si me sirve

me sirve tu batalla
sin medalla

me sirve la modestia
de tu orgullo posible
y tu mano segura
si me sirve

me sirve tu sendero
compañero.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

E a política da boa vizinhança?

Eu insisto em ler globo.com, por isso eu mereço ter que ler notícias deste naipe:

Britânica é detida ao ignorar proibição de gritar durante sexo


Os vizinhos reclamaram dos gritos e a justiça, utilizando gravações do ato, condenou o casal a pagar uma multa e os proibiu de fazer barulho.

Eu morei num prédio em Buenos Aires que era um Melrose Place popular, e a gente escutava tudo. Mas tudo mesmo! Uma ex vizinha, que é minha amiga, sempre dava seu show, e algumas vezes eu bati na parede pra ela colocar uma música e tal, né? E depois ríamos quando nos encontrávamos e eu fazia comentários escotos.

Mas também escutei vizinhos que não conhecia, e minha política era bem simples: não dá pra reclamar dessas coisas. Quem o faz é por pura inveja. Como interromper alguém nesse momento pra reclamar que ela está demonstrando muito prazer?

Aposto que o mundo seria um lugar bem melhor, se todos tivessem tão bom sexo.

Veronica Mars entrega a minha idade

Você sabe que tem alguma coisa errada na sua vida quando o seu atual seriado preferido possui o seguinte diálogo:
Veronica: Você possui alguma carteira falsa que eu possa ver?
Wallace: Claro, aqui está.
Veronica: Alguém realmente achou que enganaríamos com identidades falsas com a data de nascimento de 1983?


É, no seriado de 2005-2006, os alunos do tal high school de Neptune acham que quem nasce em 1983 é velho.

Mas eu continuo adorando minha nova amiga Veronica Mars!

O tempo nem sempre resolve tudo

Dia 09 completaram-se 8 anos que perdi minha avó. Ou que a tiraram de mim, já que não sinto a culpa que "perder" implica.

É costume dizer que o tempo cura dores desse tipo. Mas quem já passou por isso -e imagino que aqui podemos incluir quase todos nós- sabe que, também aqui, o tempo é relativo. Porque a saudade, o amor, coisas assim são a-temporais. A gente sente sempre, o tempo todo, não importa quantos anos do calendário gregoriano se passaram.

O que o tempo permite é continuar. Cada dia é como se fosse mais compreensível o "seguir em frente". Porém, tampouco é aceitar.

E a ausência ficará pra sempre, em alguns momentos mais forte que outros. Hoje, por exemplo, é mais forte que há um ano, ou que há dois anos. Não sei explicar, nem sei se isso é possível de ser explicado. Simplesmente o tempo cronológico não é suficiente para quem lida com seus sentimentos.

terça-feira, 12 de maio de 2009

Meu caderno

Resolvi escrever. Num caderno, como se fazia antigamente. Pra transbordar a angústia. Talvez se eu colocar tudo no papel, é menos coisa pra me incomodar. Talvez fique mais fácil entender. Ou, se eu tiver sorte, talvez tudo o que eu sinto no papel perca o peso, a importância, sejam apenas palavras sem sentido algum.

Então, eu vou escrever. Sem importar o "talvez" que me leve a isso.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Ainda na literatura

Retornando ao "Admirável Mundo Novo", fiquei bem mexida com esse livro. Eu já imaginava, não é a toa que ele é um clássico da literatura mundial. Mas ele me fez refletir ainda mais questões que eu já reflito sempre. E é sempre bom a gente ver que alguém pensa parecido. Mas ao mesmo tempo, é decepcionante saber que, quase um século depois, o livro ainda é tão atual, porque tudo que ele critica continua aí, talvez ainda mais forte.

Eu poderia citar praticamente toda a parte final do livro, quando o Selvagem se encontra com o Administrador. Mas essa foi a que mais me chamou a atenção:

-[Selvagem] Mas eu gosto dos inconvenientes.
-[Administrador] Nós, não. Preferimos fazer as coisas confortavelmente.
-Mas eu não quero conforto. Quero Deus, quero a poesia, quero o perigo autêntico, quero a liberdade, quero a bondade. Quero o pecado.
-Em suma - disse Mustapha Mon -, o senhor reclama o direito de ser infeliz.
-Pois bem, seja - retrucou o Selvagem em tom de desafio. - Eu reclamo o direito de ser infeliz.
-Sem falar no direito de ficar velho, feio e impotente; no direito de ter sífilis e câncer, no direito de não ter quase nada que comer; no direito de ter piolhos; no direito de viver com a apreensão constante do que poderá acontecer amanhã; no direito de contrair a febre tifóide; no direito de ser torturado por dores indizíveis de toda espécie.
Houve um longo silêncio.
-Eu os reclamo todos - disse finalmente o Selvagem.
Mustapha Mond encolheu os ombros.
-À vontade - respondeu.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Leitura para imigrantes

Li rapidinho Budapeste, do Chico Buarque. Muito bom, mas recomendo especialmente aos que, como eu, já estiveram (ou estão) na situação de imigrantes, em um país com outro idioma.

Devia ser proibido debochar de quem se aventura el língua estrangeira (p. 5)

É realmente frustrante quando estamos aprendendo outro idioma, a cabeça confusa, tentando formular frases e idéias, e alguém ri do seu sotaque.

Além disso, o livro é também para aqueles que, como eu, em algum momento ficaram tão afastados do português (ou do seu idioma pátrio), que acharam estranho quando o escutaram novamente no dia-a-dia:

Ali, por uns segundos, tive a sensação de haver desembarcado em país de língua desconhecida, o que para mim era sempre uma sensação boa, era como se a vida fosse partir do zero. Logo reconheci as palavras brasileiras, mas ainda assim era quase um idioma novo que eu ouvia, não por uma ou outra gíria mais recente, corruptelas, confusões gramaticais. O que me prendia a atenção era mesmo uma nova sonoridade, havia um metabolismo na língua falada que talvez somente ouvidos desacostumados percebessem. Como uma música diferente que um viajante, depois de prolongada ausência, ao subitamente abrir a porta de um quarto pudesse surpreender. E dentro da loja de sucos eu fazia a mais extensa das minhas viagens, pois havia anos e anos de distância entre a minha língua, como a recordava, e aquela que agora ouvia, entre aflito e embevecido (p. 155).

Claro que meu choque não foi da magnitude do que teve o personagem, que esteve mergulhado no idioma húngaro. Mas mesmo com o castelhano, principalmente na época que eu quase não tinha contato com brasileiros, essas coisas acontecem. E é muito, muito estranho quando a sua língua pátria torna-se língua estrangeira.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

"Admirável mundo novo"

"Mas você não sente o desejo de ter liberdade para ser feliz de algum outro modo, Lenina? De um modo pessoal, por exemplo, não como os outros"



Esse é o livro que leio neste momento.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Viciei

Quando eu aprendo um novo idioma, tento me meter totalmente nele: filmes, músicas, livros. Foi assim com o espanhol e deu certo.

Só que tenho um problema pessoal com francês. Fora a minha dificuldade, não é simples como o caso anterior, já que a dificuldade de compreensão e comunicação é grande. Mas resolvi investir.

E fui no básico dos dias de hoje: Carla Bruni. E olha, viciei. Que voz, e que estilo gostoso... dá uma paz....

Recomendo à todos. Porque, no final das contas, é tão bom que nem precisa entender.

A letra do vídeo:

Carla Bruni - Quelqu'Un M'A Dit

On me dit que nos vies ne valent pas grand chose,
Elles passent en un instant comme fanent les roses.
On me dit que le temps qui glisse est un salaud
Que de nos chagrins il s'en fait des manteaux

Refrain:
Pourtant quelqu'un m'a dit
Que tu m'aimais encore,
C'est quelqu'un qui m'a dit que tu m'aimais encore.
Serais ce possible alors ?

On dit que le destin se moque bien de nous
Qu'il ne nous donne rien et qu'il nous promet tout
Parait qu'le bonheur est à portée de main,
Alors on tend la main et on se retrouve fou

Au refrain

Mais qui est ce qui m'a dit que toujours tu m'aimais?
Je ne me souviens plus c'était tard dans la nuit,
J'entend encore la voix, mais je ne vois plus les traits
"il vous aime, c'est secret, lui dites pas que j'vous l'ai dit"

Tu vois quelqu'un m'a dit
Que tu m'aimais encore, me l'a t'on vraiment dit...
Que tu m'aimais encore, serais ce possible alors ?

On me dit que nos vies ne valent pas grand chose,
Elles passent en un instant comme fanent les roses
On me dit que le temps qui glisse est un salaud
Que de nos tristesses il s'en fait des manteaux,

Au refrain

E a tradução...

Disseram-me que as nossas vidas não valem grande coisa,
Elas passam em instantes como murcham as rosas.
Disseram-me que o tempo que desliza é um bastardo
Que das nossas tristezas ele faz suas cobertas

No entanto alguém me disse...
Que você ainda me ama,
Foi alguém que me disse
que você ainda me ama
Seria isto possível então?

Disseram-me que o destino debocha de nós
Que não nos dá nada e nos promete tudo
Faz parecer que a felicidade está ao alcance das mãos,
Então a gente estende a mão e se descobre louco
No entanto alguém me disse...

Mas quem me disse que você sempre me amou?
Eu não recordo mais, já era tarde da noite,
Eu ainda ouço a voz, mas eu não vejo mais seus traços
'ele ama você, isso é segredo,
não diga a ele que eu disse a você'

Sabe, alguém me disse...
Que você ainda me ama,
Disseram-me isso realmente...
Que você ainda me ama,
Seria isto possível então?

Disseram-me que as nossas vidas não valem grande coisa,
Elas passam em instantes como murcham as rosas.
Disseram-me que o tempo que se vai é um bastardo
Que das nossas tristezas ele faz a sua coberta

No entanto alguém me disse...
Que você ainda me ama,
Foi alguém que me disse
Que você ainda me ama
Seria isto possível então?

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Meu primeiro voto

A primeira vez que eu votei tinha 17 anos. Foi pra prefeito, em 2000. Não votei com 16 porque no ano não teve eleição.

Eu sempre quis votar. Sempre achei algo incrível, nunca vi como uma obrigação, como algo negativo. Não via horário eleitoral, mas me informava sobre os candidatos. E discutia sobre o assunto, tentava mostrar pras pessoas a importância de cada voto, de levar a sério. Mas a verdade é que sempre senti que, pra maioria das pessoas, votar era (é) um saco.

Dois anos depois, com 19 anos, eu votei pela primeira vez pra presidente. Votei na primeira eleição que a lei permitiu pela minha idade, o que, por coincidência, já era uma eleição obrigatória para mim. Mas, repito, nunca vi dessa maneira. Aos 15 anos, em 1998, passei o dia da eleição fazendo boca de urna. E chorando com o resultado final e minha desilusão política.

Meu pai hoje tem 54 anos. Está aposentado, e parte de sua vida foi marcada pela luta sindical, no interior de São Paulo, na década de 1980. Bancário, foi através de sua categoria que ele se opôs ao regime militar daquele período. Sua atuação política foi como a maioria das pessoas naquele período, nas "massas", sem ser um líder histórico nem nada disso. Mas, como eu, ele tentava participar.

Porém, enquanto aos 19 anos eu votava pra presidente, meu pai só o pode fazer em 1989, com 35 anos. Eu apenas esperei a idade que a Constituição exigia. Meu pai teve que lutar, brigar pelo seu voto, e esperar que os militares, lentamente, deixassem o poder e que voltasse a democracia.

35 anos para poder escolher quem vai governar seu país. Hoje um jovem de 16 anos já pode tomar esta decisão.

Penso muito nisso nos últimos dias porque este mês se completam 25 anos da campanha pelas Diretas Já. No final, foi mais uma tentativa frustrada. Milhões e milhões de pessoas nas ruas lutando pelo direito de votar para presidente, e culminou na não aprovação.

Quando eu tinha 19 anos, 18 anos depois de terem ido às ruas exigir este direito, grande parte destas mesmas pessoas reclamava da "obrigação" de votar. E o fazem até hoje.

Eu continuo com a imagem do meu pai, aos 35 anos, votando pela primeira vez para presidente. E é nisso que eu penso cada vez que me decepciono com a política ou escuto tantas pessoas que dizem que votar não vale à pena. Talvez o resultado não seja o esperado. Mas votar, sempre vale à pena.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

El año sabático

Na Argentina é comum escutar as pessoas dizerem que tiraram um "año sabático". Acho até que a expressão existe em português, mas eu a escutei, e muito, lá na minha época porteña. E hoje entendi que é mais ou menos isso que estou fazendo no meu ano de 2009.

Eu comecei a trabalhar com 17 anos. Mas, deixo claro, porque eu quis. Eu sempre quis trabalhar, me incomodava muito vivir de mesada. E lá fui eu. Quando fui morar na Argentina fiquei 1 ano sem trabalhar, fazia bicos como pesquisadora. E quase enlouqueci. Torrei todo o meu dinheirinho guardado com tanto carinho, e em 2006, lá fui procurar um trabalho.

Só que não vou negar: o trabalho, qualquer que seja, interfere na minha vida acadêmica. Explico melhor: demorei 3 anos e meio no mestrado, um ano a mais do que deveria, porque não tinha tempo nem cabeça pra me dedicar. Eu trabalhava muito (teve épocas que rabalhei mais de 10h por dia), morava sozinha, tinha aula 2 vezes por semana, e era complicado chegar em casa e ainda estudar...

Então decidi que com o doutorado ia ser diferente. E aqui estou, no meu "año casi sabático": não estou à toa, como deveria, mas estou de estudante. Coisa que nunca fiz desde que saí do colégio. Poder ler toda a bibliografia complementar, ler literatura e não só textos teóricos, ir ao cinema, vistar exposições... essa vida de estudante é deliciosa!

Eu sei que não vou aguentar muito tempo. Me incomoda, e muito, não ser independente finaceiramente. Mas eu também precisava desse descanso. Pra poder me dedicar um pouco ao que eu escolhi fazer, pra tentar, em alguns anos, conseguir me dedicar e viver da História.

Vamos ver. O fato é que em 1 mês já estudei e li mais do que em 1 ano de mestrado. Delícia!

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Piez descalzos...


Outro dia, não sei porque, estava no cinema vendo "Gran Torino" (que recomendo) e lembrei que até os meus 17 anos eu não usava sapatos abertos. Nada de sandálias, só tênis. Claro, se eu fosse pra praia ia de chinelo, mas logo ficava descalça. O mesmo se tivesse alguma festa mais arrumada. Menos de meia hora e eu já tava com os pés no chão.

O fato é: eu detestava pés. Inclusive os meus. Chorava de nojo quando alguém encostava os seus em mim ou tocava os meus. Sei lá, achava sujo, nojento, mesmo. E me apavorava.

Lembro que meu primeiro namorado mais sério, num ato de romantismo de cinema, no meio de um super amasso resolveu passar um pé carinhosamente na minha perna... e eu comecei a chorar de nojo. Desse nível de surto.

Lembro também, quando ainda namorava este mesmo pobre-coitado, da vez que finalmente encontrei uma sandália que eu usasse. Tipo, eu procurava uma há anos, sem exagero. Não gostava de nada, e a alegria foi tanta que a guardo até hoje. E uso, pouco, mas uso.

Até mais ou menos 2004 eu ainda tinha bastante nojo. Mas aí já usava sapatos abertos, apesar da maior parte do tempo usar um bom e velho tênis. Acho que foram as havaianas que me salvaram definitivamente desta loucura, já que hoje elas são a principal peça do meu vestuário. Mas meus tênis continuam lá, inclusive meu primeiro all star (o da foto), que agora completa 10 anos, ou seja, da época do grande pavor de pés.

Nunca entendi bem essa neura. Muitos diziam que era trauma de infância, alguns até arriscavam trauma da época da barriga da mamy, mas eu nunca dei muita bola. O único que me importava era ter o menor contato possível com meus pés.

Hoje, essas ironias da vida: É quase uma tortura colocar sapatos fechados. Vou de havaiana a qualquer lugar, chego ao cúmulo de usá-la com meias, mesmo sabendo que é ridículo. De repente os sapatos fechados me sufocam.

PS: Tô transformando esse blog em diário, heim?

sábado, 7 de março de 2009

Just me

Na segunda-feira minhas férias acabam. Eu não tinha férias assim praticamente desde de que terminei a faculdade, em janeiro de 2005. Mas nessa época nem aproveitei tanto, porque estava de mudança pra Argentina e foi uma sucessão de despedidas. Tudo muito bom, farra total, festas e bebedeira, mas não eram férias, férias. Isso eu tive agora, desde que terminei a seleção do doutorado na UFF, com o resultado final no dia 12 de dezembro de 2008. Sim, eu tive férias de estudante, 3 meses. Mas não foi fácil.

O grande problema: eu era super independente em Buenos Aires. Morava sozinha, gastava meu $ como eu queria, vivia aquela vida de filme de jovem que sai da casa dos pais pra cidade grande, sabe? E pra conseguir continuar com a História, pra fazer meu doutorado no muehor lugar, tive que voltar pra asa dos pais.

Não posso nem abrir a boca pra reclamar dos meus pais, que nunca me cobraram nada, pelo contrário, meu pai tá que nem pinto no lixo de tão feliz que eu voltei. Mas é foda, pra alguém que nem eu, que aos 14 anos queria trabalhar no Mc Donald's porque estava incomodada em receber mesada, voltar pra casa dos pais.

Fora que é voltando que nós percebemos que morar sozinho nos torna egoístas. Durante 21 anos eu dividi o quarto com a minha irmã, e, como qualquer relação entre irmãs, quase nos matávamos. Aí fui morar numa residência na Argentina. Depois num ap com mais 4 pessoas. Finalmente, fui morar sozinha num ap de 1 quarto. Talvez seja difícil para todos entenderem o que é pra uma pessoa que sempre dividiu ter quase 40 metros quadrados só pra ela. E sem ter que dar satisfação de nada pra ninguém. Chegava quando queria, saia quando queria, tudo na minha vida era quando EU queria. E agora tenho que, pelo menos, avisar que horas eu volto pra casa (ainda mais no RJ...).

O fato é que eu tento olhar as coisas pelo copo metade cheio. Que bom que eu tenho pais que podem me apoiar e ajudar pra que eu consiga me dedicar a esta carreira fudida que é ser historiadora. Anos e anos de estudo sem nunca ter a certeza que vamos chegar onde queremos.

Mas é isso. Esse desabafo é pessoal, nem sei se outras pessoas vão ler tudo isso. Mas é pra que eu possa marcar essa minha "nova vida" que começa agora. E se as coisas seguirem o rumo delas, estarei pouco tempo na casa do papi e no Rio... porque a vontade de sair e conhecer tudo não dimnui, só cresce.

Eu precisava era de um mecenas...

Ouvindo a rádio Beatles da Last.fm

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

...

Se tem uma coisa que sempre funciona pra mim, é escutar alguns tipos de músicas quando me sinto perdida.

Pra variar, Oasis...

Já se passaram 13 anos desde a primeira vez que os escutei. E ainda é como se eu me surpreendesse com as músicas que já escutei 50 ml vezes...

Here's another sunday morning call
Yer hear yer head-a-banging on the door
Slip your shoes on and then out you crawl
Into a day that couldn't give you more
But what for?

And in your head do you feel
What you're not supposed to feel
You take what you want
But you won't get it for free
You need more time
Cos your thoughts and words won't last forever more
But i'm not sure if it ever works out right
But it's ok. It's alright

When yer lonely and you want to hear
The little voices in your head at night
You will only sniff away the tears
So you can dance until the morning light
At what price

And in your head do you feel
What you're not supposed to feel
You take what you want
But you won't get it for free
You need more time
Cos your thoughts and words won't last forever more
But i'm not sure if it ever works out right
But it's ok. It's alright

And in your head do you feel
What you're not supposed to feel
You take what you want
But you won't get it for free
You need more time
Cos your thoughts and words won't last forever more
And i'm not sure if it'll ever, ever, ever work out right
Will it ever, ever, ever work out right?
Cos it never, never, never works out right

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Meus programas de nerd


Ontem tive uma tarde do jeito que eu gosto: cinema no museu! Adoro ir ao cinema no Museu da República. Lá não tem fila, nem gente sem noção (normalmente), e o lugar é lindo. Não só porque é um museu -e entre uma sessão e outra eu posso ver exposições-, mas pelo belo jardim do Palácio do Catete. Sair do cinema depois de um bom filme e ficar pensando no que acabamos de ver, passeando pelo jardim... uma delícia.

Mas acho que o que torna esse programa tão bom é que sempre vejo bons filmes. Dessa vez, vi "Vicky Cristina Barcelona" e "Rebobine por favor". Dois filmes que já estão saindo de cartaz e não sei porque demorei tanto pra assistir. E ainda bem que não perdi a oportunidade.

"Vicky Cristina Barcelona" é bom demais. Fiquei ainda mais louca pra conhecer a Espanha, e me identifiquei muito com as personagens e sua relação com o turismo: me vejo em Barcelona passeando encantada, vendo museus, parques, comendo bem... o típico turismo de nerd. Além disso escutei aquele idioma lindo, ri com as cenas bizarras e fiquei pensativa com muita, muita coisa. Não sei se é o filme ideal para uma pessoa com uma vida tão sem rumo como a minha agora (nem me matricular numa disciplina eu consigo)... mas valeu muito a pena.

"Rebobine por favor", é diferente. Ri também, menos, porque o humor é daqueles meio óbvios, mas me identifiquei muito com uma coisa: a crítica às locadoras de DVD. É impressionante como nunca encontramos grandes clássicos, como todas se parecem. São apenas mais um estabelecimento comercial, e não um lugar, digamos, cultural. O filme "alugável", que dá lucro, tem que ter dado dinheiro no cinema. São poucas as que possuem bons filmes antigos... E isso não é só pelo DVD, não. Vários clássicos já estão neste formato e continuam ausentes das prateleiras. Lembrei do dia que tive que ir com uma amiga numa locadora em Copacabana para ela alugar um filme que saiu há menos de 5 anos, mas não era comercial.

Programa recomendado. E a dica: na 4a feira, além do cinema ser mais barato, a entrada nas exposições é gratuita.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Meu Menininho





Amanhã é aniversário do meu "Bebê", aquele caçulinha que tem quase 1,90m, mas que não assusta ninguém: o melhor amigo de todos, o mais bobo, que ri de qualquer besteira, que nos faz rir o tempo todo, que apóia, que escuta todo mundo, aconselha, que está sempre do nosso lado.

Meu irmão é fenomenal. E eu morro de saudades dele, isso já tem tempo, desde que eu sai de casa, do país. Saudade que ficou insuportável depois dos 4 meses que moramos juntos em Buenos Aires, na "casita": 1 quarto, aquele apartamento super pequeno, e nós felizes como nunca. Eu, ele e o Ale, rindo à toa só por comer empanadas e sanduíches de miga juntos. Mas ele tinha que voltar...

Aí eu voltei, mas apoiando 100% a vez dele sair, dele viver esse mundo aí de fora. E cheia de orgulho quando ele diz "só você entende essa alegria de viver aqui junto com esse desespero de ir embora".

Agora ele tá lá, curtindo a vez dele, correndo atrás de qualquer que seja esse sonho dele. E eu aqui, nessa mistura louca de saudade, orgulho, alegria...

Meu Menininho é tudo. Pra muita gente. E mesmo completando 24 anos, até deixando de ser dependente no plano de saúde, ou seja, obrigatoriamente virando adulto, vai ser sempre o bobão que enche o saco de tanto que ri de coisas idiotas.



quinta-feira, 15 de janeiro de 2009


Porque ela está até em Bruxelas, na esquina daquele mijão sem -graça.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Franz balança a cabeça: "Numa sociedade rica, os homens não têm necessidade de trabalhar com as mãos e se dedicam a uma atividade intelectual. Existem cada vez mais universidades e cada vez mais estudantes. Para obter seus diplomas, precisam encontrar tema de dissertação. Existe um número infinito de temas, pois se pode falar sobre tudo. Pilhas de papel amarelado se acumulam nos arquivos, que são mais tristes do que os cemitérios, porque não se vai até eles mesmo no dia de Finados. A cultura desaparece numa multidão de produções, numa avalenche de frases, na demência da quantidade. Acredite em mim, um só livro proibido em seu antigo país significa infinitamente mais do que as milhares de palavras cuspidas pelas nossas universidades."
A instutentável leveza do ser, p. 103.


Mesmo num país não rico, ou como é educado dizer, um país em desenvolvimento, tenho essa sensação. E ela não é a melhor nesse momento...

Qual o sentido (principalmente o social), de ser intelectual? Mais uma tese/livro pras estantes, que nem nossos próprios pais e amigos vão ler?

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Ganhamos!

Lembram do padre que ano passado tentou voar cheio de balões de ar? Fiz um post zoando em maio do ano passado, e naquela época eu descobri que ele tava concorrendo ao prêmio Darwin, um prêmio internacional:

O Darwin Awards é uma premiação internacional cujo principal objetivo é saudar a evolução da éspécie humana honrando aqueles que acidentalmente se matam de maneira estúpida comprovando que a seleção natural existe.
Fonte: http://www.mdig.com.br/index.php?itemid=1471

Pois é: ganhamos! OU melhor, o padre ganhou! Abaixo, a reportagem de ontem da Folha de São Paulo. E fica aí a dúvida: orgulho de vencer ou vergonha nacional?

05/01/2009 - 18h56

"Padre balonista" fica em 1º lugar de prêmio internacional sobre mortes

da Folha Online

O prêmio Darwin Awards, que reconhece o "mérito" de pessoas que morreram de modo considerado estúpido, fechou 2008 com um brasileiro na dianteira: o padre Adelir Antônio de Carli, que desapareceu em abril do ano passado ao fazer um voo suspenso por balões cheios de gás hélio.

A intenção do prêmio é, na definição politicamente incorreta dos organizadores, celebrar aqueles que melhoram o código genético humano (e as chances de sobrevivência da espécie) ao morrerem de maneira "realmente estúpida" --em uma ligação um tanto torta com as teorias de Charles Darwin, cientista que dá nome ao prêmio.

Primeiro colocado na votação on-line de 2008, Carli partiu de Paranaguá (PR) e pretendia chegar até Ponta Grossa (PR), a 180 km de distância, suspenso por balões. O último contato que ele fez foi por celular via satélite, quando pediu que alguém o ajudasse a operar o aparelho de GPS (sistema de posicionamento global) que transportava --o fato de o religioso não saber manusear o aparelho ganhou bastante destaque no texto do Darwin Awards.

O corpo do padre foi encontrado em Maricá (RJ) aproximadamente dois meses após seu desaparecimento. O enterro do religioso ocorreu em 2 de agosto, em Ampére (PR), sua cidade natal, e foi acompanhado centenas de fiéis.

O religioso brasileiro está à frente do italiano Ivece Plattner, que morreu atropelado em uma linha de trem, logo depois de correr balançando os braços em direção à locomotiva em movimento, a fim de tentar salvar seu Porsche da colisão.