sexta-feira, 24 de abril de 2009

"Admirável mundo novo"

"Mas você não sente o desejo de ter liberdade para ser feliz de algum outro modo, Lenina? De um modo pessoal, por exemplo, não como os outros"



Esse é o livro que leio neste momento.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Viciei

Quando eu aprendo um novo idioma, tento me meter totalmente nele: filmes, músicas, livros. Foi assim com o espanhol e deu certo.

Só que tenho um problema pessoal com francês. Fora a minha dificuldade, não é simples como o caso anterior, já que a dificuldade de compreensão e comunicação é grande. Mas resolvi investir.

E fui no básico dos dias de hoje: Carla Bruni. E olha, viciei. Que voz, e que estilo gostoso... dá uma paz....

Recomendo à todos. Porque, no final das contas, é tão bom que nem precisa entender.

A letra do vídeo:

Carla Bruni - Quelqu'Un M'A Dit

On me dit que nos vies ne valent pas grand chose,
Elles passent en un instant comme fanent les roses.
On me dit que le temps qui glisse est un salaud
Que de nos chagrins il s'en fait des manteaux

Refrain:
Pourtant quelqu'un m'a dit
Que tu m'aimais encore,
C'est quelqu'un qui m'a dit que tu m'aimais encore.
Serais ce possible alors ?

On dit que le destin se moque bien de nous
Qu'il ne nous donne rien et qu'il nous promet tout
Parait qu'le bonheur est à portée de main,
Alors on tend la main et on se retrouve fou

Au refrain

Mais qui est ce qui m'a dit que toujours tu m'aimais?
Je ne me souviens plus c'était tard dans la nuit,
J'entend encore la voix, mais je ne vois plus les traits
"il vous aime, c'est secret, lui dites pas que j'vous l'ai dit"

Tu vois quelqu'un m'a dit
Que tu m'aimais encore, me l'a t'on vraiment dit...
Que tu m'aimais encore, serais ce possible alors ?

On me dit que nos vies ne valent pas grand chose,
Elles passent en un instant comme fanent les roses
On me dit que le temps qui glisse est un salaud
Que de nos tristesses il s'en fait des manteaux,

Au refrain

E a tradução...

Disseram-me que as nossas vidas não valem grande coisa,
Elas passam em instantes como murcham as rosas.
Disseram-me que o tempo que desliza é um bastardo
Que das nossas tristezas ele faz suas cobertas

No entanto alguém me disse...
Que você ainda me ama,
Foi alguém que me disse
que você ainda me ama
Seria isto possível então?

Disseram-me que o destino debocha de nós
Que não nos dá nada e nos promete tudo
Faz parecer que a felicidade está ao alcance das mãos,
Então a gente estende a mão e se descobre louco
No entanto alguém me disse...

Mas quem me disse que você sempre me amou?
Eu não recordo mais, já era tarde da noite,
Eu ainda ouço a voz, mas eu não vejo mais seus traços
'ele ama você, isso é segredo,
não diga a ele que eu disse a você'

Sabe, alguém me disse...
Que você ainda me ama,
Disseram-me isso realmente...
Que você ainda me ama,
Seria isto possível então?

Disseram-me que as nossas vidas não valem grande coisa,
Elas passam em instantes como murcham as rosas.
Disseram-me que o tempo que se vai é um bastardo
Que das nossas tristezas ele faz a sua coberta

No entanto alguém me disse...
Que você ainda me ama,
Foi alguém que me disse
Que você ainda me ama
Seria isto possível então?

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Meu primeiro voto

A primeira vez que eu votei tinha 17 anos. Foi pra prefeito, em 2000. Não votei com 16 porque no ano não teve eleição.

Eu sempre quis votar. Sempre achei algo incrível, nunca vi como uma obrigação, como algo negativo. Não via horário eleitoral, mas me informava sobre os candidatos. E discutia sobre o assunto, tentava mostrar pras pessoas a importância de cada voto, de levar a sério. Mas a verdade é que sempre senti que, pra maioria das pessoas, votar era (é) um saco.

Dois anos depois, com 19 anos, eu votei pela primeira vez pra presidente. Votei na primeira eleição que a lei permitiu pela minha idade, o que, por coincidência, já era uma eleição obrigatória para mim. Mas, repito, nunca vi dessa maneira. Aos 15 anos, em 1998, passei o dia da eleição fazendo boca de urna. E chorando com o resultado final e minha desilusão política.

Meu pai hoje tem 54 anos. Está aposentado, e parte de sua vida foi marcada pela luta sindical, no interior de São Paulo, na década de 1980. Bancário, foi através de sua categoria que ele se opôs ao regime militar daquele período. Sua atuação política foi como a maioria das pessoas naquele período, nas "massas", sem ser um líder histórico nem nada disso. Mas, como eu, ele tentava participar.

Porém, enquanto aos 19 anos eu votava pra presidente, meu pai só o pode fazer em 1989, com 35 anos. Eu apenas esperei a idade que a Constituição exigia. Meu pai teve que lutar, brigar pelo seu voto, e esperar que os militares, lentamente, deixassem o poder e que voltasse a democracia.

35 anos para poder escolher quem vai governar seu país. Hoje um jovem de 16 anos já pode tomar esta decisão.

Penso muito nisso nos últimos dias porque este mês se completam 25 anos da campanha pelas Diretas Já. No final, foi mais uma tentativa frustrada. Milhões e milhões de pessoas nas ruas lutando pelo direito de votar para presidente, e culminou na não aprovação.

Quando eu tinha 19 anos, 18 anos depois de terem ido às ruas exigir este direito, grande parte destas mesmas pessoas reclamava da "obrigação" de votar. E o fazem até hoje.

Eu continuo com a imagem do meu pai, aos 35 anos, votando pela primeira vez para presidente. E é nisso que eu penso cada vez que me decepciono com a política ou escuto tantas pessoas que dizem que votar não vale à pena. Talvez o resultado não seja o esperado. Mas votar, sempre vale à pena.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

El año sabático

Na Argentina é comum escutar as pessoas dizerem que tiraram um "año sabático". Acho até que a expressão existe em português, mas eu a escutei, e muito, lá na minha época porteña. E hoje entendi que é mais ou menos isso que estou fazendo no meu ano de 2009.

Eu comecei a trabalhar com 17 anos. Mas, deixo claro, porque eu quis. Eu sempre quis trabalhar, me incomodava muito vivir de mesada. E lá fui eu. Quando fui morar na Argentina fiquei 1 ano sem trabalhar, fazia bicos como pesquisadora. E quase enlouqueci. Torrei todo o meu dinheirinho guardado com tanto carinho, e em 2006, lá fui procurar um trabalho.

Só que não vou negar: o trabalho, qualquer que seja, interfere na minha vida acadêmica. Explico melhor: demorei 3 anos e meio no mestrado, um ano a mais do que deveria, porque não tinha tempo nem cabeça pra me dedicar. Eu trabalhava muito (teve épocas que rabalhei mais de 10h por dia), morava sozinha, tinha aula 2 vezes por semana, e era complicado chegar em casa e ainda estudar...

Então decidi que com o doutorado ia ser diferente. E aqui estou, no meu "año casi sabático": não estou à toa, como deveria, mas estou de estudante. Coisa que nunca fiz desde que saí do colégio. Poder ler toda a bibliografia complementar, ler literatura e não só textos teóricos, ir ao cinema, vistar exposições... essa vida de estudante é deliciosa!

Eu sei que não vou aguentar muito tempo. Me incomoda, e muito, não ser independente finaceiramente. Mas eu também precisava desse descanso. Pra poder me dedicar um pouco ao que eu escolhi fazer, pra tentar, em alguns anos, conseguir me dedicar e viver da História.

Vamos ver. O fato é que em 1 mês já estudei e li mais do que em 1 ano de mestrado. Delícia!

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Piez descalzos...


Outro dia, não sei porque, estava no cinema vendo "Gran Torino" (que recomendo) e lembrei que até os meus 17 anos eu não usava sapatos abertos. Nada de sandálias, só tênis. Claro, se eu fosse pra praia ia de chinelo, mas logo ficava descalça. O mesmo se tivesse alguma festa mais arrumada. Menos de meia hora e eu já tava com os pés no chão.

O fato é: eu detestava pés. Inclusive os meus. Chorava de nojo quando alguém encostava os seus em mim ou tocava os meus. Sei lá, achava sujo, nojento, mesmo. E me apavorava.

Lembro que meu primeiro namorado mais sério, num ato de romantismo de cinema, no meio de um super amasso resolveu passar um pé carinhosamente na minha perna... e eu comecei a chorar de nojo. Desse nível de surto.

Lembro também, quando ainda namorava este mesmo pobre-coitado, da vez que finalmente encontrei uma sandália que eu usasse. Tipo, eu procurava uma há anos, sem exagero. Não gostava de nada, e a alegria foi tanta que a guardo até hoje. E uso, pouco, mas uso.

Até mais ou menos 2004 eu ainda tinha bastante nojo. Mas aí já usava sapatos abertos, apesar da maior parte do tempo usar um bom e velho tênis. Acho que foram as havaianas que me salvaram definitivamente desta loucura, já que hoje elas são a principal peça do meu vestuário. Mas meus tênis continuam lá, inclusive meu primeiro all star (o da foto), que agora completa 10 anos, ou seja, da época do grande pavor de pés.

Nunca entendi bem essa neura. Muitos diziam que era trauma de infância, alguns até arriscavam trauma da época da barriga da mamy, mas eu nunca dei muita bola. O único que me importava era ter o menor contato possível com meus pés.

Hoje, essas ironias da vida: É quase uma tortura colocar sapatos fechados. Vou de havaiana a qualquer lugar, chego ao cúmulo de usá-la com meias, mesmo sabendo que é ridículo. De repente os sapatos fechados me sufocam.

PS: Tô transformando esse blog em diário, heim?