segunda-feira, 20 de abril de 2009

Meu primeiro voto

A primeira vez que eu votei tinha 17 anos. Foi pra prefeito, em 2000. Não votei com 16 porque no ano não teve eleição.

Eu sempre quis votar. Sempre achei algo incrível, nunca vi como uma obrigação, como algo negativo. Não via horário eleitoral, mas me informava sobre os candidatos. E discutia sobre o assunto, tentava mostrar pras pessoas a importância de cada voto, de levar a sério. Mas a verdade é que sempre senti que, pra maioria das pessoas, votar era (é) um saco.

Dois anos depois, com 19 anos, eu votei pela primeira vez pra presidente. Votei na primeira eleição que a lei permitiu pela minha idade, o que, por coincidência, já era uma eleição obrigatória para mim. Mas, repito, nunca vi dessa maneira. Aos 15 anos, em 1998, passei o dia da eleição fazendo boca de urna. E chorando com o resultado final e minha desilusão política.

Meu pai hoje tem 54 anos. Está aposentado, e parte de sua vida foi marcada pela luta sindical, no interior de São Paulo, na década de 1980. Bancário, foi através de sua categoria que ele se opôs ao regime militar daquele período. Sua atuação política foi como a maioria das pessoas naquele período, nas "massas", sem ser um líder histórico nem nada disso. Mas, como eu, ele tentava participar.

Porém, enquanto aos 19 anos eu votava pra presidente, meu pai só o pode fazer em 1989, com 35 anos. Eu apenas esperei a idade que a Constituição exigia. Meu pai teve que lutar, brigar pelo seu voto, e esperar que os militares, lentamente, deixassem o poder e que voltasse a democracia.

35 anos para poder escolher quem vai governar seu país. Hoje um jovem de 16 anos já pode tomar esta decisão.

Penso muito nisso nos últimos dias porque este mês se completam 25 anos da campanha pelas Diretas Já. No final, foi mais uma tentativa frustrada. Milhões e milhões de pessoas nas ruas lutando pelo direito de votar para presidente, e culminou na não aprovação.

Quando eu tinha 19 anos, 18 anos depois de terem ido às ruas exigir este direito, grande parte destas mesmas pessoas reclamava da "obrigação" de votar. E o fazem até hoje.

Eu continuo com a imagem do meu pai, aos 35 anos, votando pela primeira vez para presidente. E é nisso que eu penso cada vez que me decepciono com a política ou escuto tantas pessoas que dizem que votar não vale à pena. Talvez o resultado não seja o esperado. Mas votar, sempre vale à pena.

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