quinta-feira, 7 de maio de 2009

Ainda na literatura

Retornando ao "Admirável Mundo Novo", fiquei bem mexida com esse livro. Eu já imaginava, não é a toa que ele é um clássico da literatura mundial. Mas ele me fez refletir ainda mais questões que eu já reflito sempre. E é sempre bom a gente ver que alguém pensa parecido. Mas ao mesmo tempo, é decepcionante saber que, quase um século depois, o livro ainda é tão atual, porque tudo que ele critica continua aí, talvez ainda mais forte.

Eu poderia citar praticamente toda a parte final do livro, quando o Selvagem se encontra com o Administrador. Mas essa foi a que mais me chamou a atenção:

-[Selvagem] Mas eu gosto dos inconvenientes.
-[Administrador] Nós, não. Preferimos fazer as coisas confortavelmente.
-Mas eu não quero conforto. Quero Deus, quero a poesia, quero o perigo autêntico, quero a liberdade, quero a bondade. Quero o pecado.
-Em suma - disse Mustapha Mon -, o senhor reclama o direito de ser infeliz.
-Pois bem, seja - retrucou o Selvagem em tom de desafio. - Eu reclamo o direito de ser infeliz.
-Sem falar no direito de ficar velho, feio e impotente; no direito de ter sífilis e câncer, no direito de não ter quase nada que comer; no direito de ter piolhos; no direito de viver com a apreensão constante do que poderá acontecer amanhã; no direito de contrair a febre tifóide; no direito de ser torturado por dores indizíveis de toda espécie.
Houve um longo silêncio.
-Eu os reclamo todos - disse finalmente o Selvagem.
Mustapha Mond encolheu os ombros.
-À vontade - respondeu.

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