quinta-feira, 25 de junho de 2009

Não tão popular assim

Dizem por aí (ou melhor, por aqui no RJ), que eu conheço todo mundo. Eu estudei em vários colégios, morei num dos bairros de classe média mais residenciais do Rio, estudei no Colégio mais popular (o Pedro II), trabalhei no pH, estudei em Niterói, e por aí vai. É normal que eu conheça muita gente, e as coincidências da vida ainda aumentaram esse mito, já que até em Buenos Aires fiz amigos que conhecem amigos aqui.

E esses dias eu fiquei pensando: se eu conheço mesmo "todo mundo", por que eu não conheço ninguém que estivesse nos últimos desastres de avião (Gol 2006, Tam 2007 e Air France 2009), todos eles de alguma forma relacionaos com a minha vida, com a minha rotina? E agora a dúvida mais instigante que me persegue nesses dias: por que eu não conheço ninguém com gripe suína? Afinal, também estou no meio dos casos típicos!

Pois é, acho que não conheço tanta gente assi, não... ou talvez, pra ficar longe dessas tragédias, a melhor saída é ser conhecido meu!

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Cena dos próximos capítulos

Atualmente, 2 temas me fazem refletir e querer escrever sobre eles neste blog: a ocupação da USP pela PM e o fim da obrigatoriedade do diploma para exercer a carreira de jornalista.

Como estou super enrolada terminando um trabalho/artigo para segunda, vou ter que deixar pra depois minhas opiniões. Isso significa que talvez nunca volte a estes assuntos (eu me conheço...).

Portanto, queria pelo menos deixar aqui parte da reflexão de Marcos Nobre sobre a USP que saiu dia 16/06 na Folha de São Paulo, da qual compartilho:

O que torna o conflito na USP mais amplo do que os muros da escola é justamente o fato de revelar quão baixo ainda é o nível de democratização da sociedade brasileira.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

A família buscapé versão Minas Gerais


A família do meu pai é bem grande. Minha avó teve 10 filhos (5 homens e 5 mulheres), adotou mais uma mulher e o caçula homem morreu jovem, ainda na década de 80. E, claro, esses muitos filhos tiveram muitos outros filhos mais, e alguns destes também já tiveram filhos. E ainda temos os tios-avós, os agregados, o primo do primo... Eu sei que, oficialmente, somos mais de 30 netos e bisnetos.

E nesse último feriado comemoramos os 80 anos da velhinha. E foi uma delícia! Longe pra chegar, mas depois alguns dias de muito pão-de-queijo, comida mineira da melhor qualidade, cervejinha, pernas pro ar, rede e papo furado. Delícia!

Há 5 anos eu não ia visitar a família. Muitos eu vi quando vinha ao Rio, e até tiveram os que me visitaram em Buenos Aires. Mas eu sentia muita falta de estar entre eles, lá no norte de Minas, naquela longe Januária...

Claro que, como toda família (especialmente as grandes), nem tudo é paz. Todos temos nossos desafetos, e teve até quem resolveu manchar um pouco a festa. Mas eu levo tudo numa boa. Porque os que eu gosto, estar com aqueles que eu amo de verdade, fazem todas essas besteiras ficarem muito pequenas.

E agora bate aquela saudade de estar de novo lá, e a tristeza em saber que dificilmente a gente consegue juntar (quase) todo mundo de novo...

Na foto: Vovó com seus netos, ou melhor, quase todos, faltando Binho, Felipe, Fé, Glauco e Cintia.

sexta-feira, 5 de junho de 2009


'Cause it's a bittersweet symphony this life
Trying to make ends meet, you're a slave to the money then you die
I'll take you down the only road I've ever been down
You know the one that takes you to the places where all the veins meet, yeah
No change, I can't change, I can't change, I can't change,
but I'm here in my mold , I am here in my mold
But I'm a million different people from one day to the next
I can't change my mold, no, no, no, no, no

Well, I've never prayed,
But tonight I'm on my knees, yeah
I need to hear some sounds that recognize the pain in me, yeah
I let the melody shine, let it cleanse my mind , I feel free now
But the airwaves are clean and there's nobody singing to me now

No change, I can't change, I can't change, I can't change,
but I'm here in my mold , I am here with my mold
And I'm a million different people from one day to the next
I can't change my mold, no, no, no, no, no

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Não só eu apoio


Eu apoio as cotas na Universidade pública. Tanto a cota racial como a cota de renda. E sei que minha opinião é muito polêmica, especialmente no meio social em que vivo, no qual praticamente todos são afetados negativamente pela medida. E continuo apoiando, cada vez com mais certeza de que isso é parte de um longo caminho, mas uma parte necessária.

O fato de eu apoiar as cotas não significa que eu acho que elas, sozinhas, resolvem o problema da exclusão e da péssima educação da maioria da população brasileira. Acredito que as cotas fazem parte de um grupo de políticas necessárias para permitir uma educação democrática nesse país vergonhosamente tão desigual. Sei que são necessárias medidas a longo prazo, principalmente a melhora do ensino fundamental e médio, o que permitiria a todos uma disputa igual ao acesso à universidade. Mas o que dizer aos que estão agora no momento de ingresso: "Sinto muito, mas você nasceu alguns anos (ou décadas) antes da hora"?

E sim, acho que o país possui uma dívida com os negros e índios. Não, não acho que eles são inferiores e por isso precisam ser favorecidos. Esse é o argumento mais medíocre dos que se colocam contra tais medidas. O que eu acho, e minha formação como historiadora só aumenta esta certeza, é que esses grupos sociais, por sua etnia, foram durante séculos explorados e excluídos da nossa sociedade que, por esses mesmo período, lutou para ser e manter-se elitista e branca-européia. A Proclamação da República e a Abolição da Escravidão, no final do século XIX, não foram fórmulas milagrosas de inserção social, e isso todo mundo pode ver no dia-a-dia. Nenhum tipo de política social foi feita, indenização paga, e foi como se negros e índios simplesmente tivessem que "esquecer" e "perdoar" toda a exploração sofrida para serem "iguais". E nunca foram iguais. Nem a igualdade na Constituição atual garante esta igualdade na realidade. Somos, sim, um país de "iguais" onde alguns são "mais iguais" que outros.

Por isso, e por muito mais, eu defendo, sim, o sistema de cotas. E fiquei feliz que não sou a única. Abaixo copio o excelente artigo do jornalista Elio Gaspari que saiu ontem na Folha de São paulo sobre o tema. Os cotistas responderam de forma excelente aos seus críticos.

ELIO GASPARI

As cotas desmentiram as urucubacas

Os negros desorganizariam as universidades, como a Abolição destruiria a economia brasileira


QUEM ACOMPANHASSE os debates na Câmara dos Deputados em 1884 poderia ouvir a leitura de uma moção de fazendeiros do Rio de Janeiro:
"Ninguém no Brasil sustenta a escravidão pela escravidão, mas não há um só brasileiro que não se oponha aos perigos da desorganização do atual sistema de trabalho."
Livres os negros, as cidades seriam invadidas por "turbas ignaras", "gente refratária ao trabalho e ávida de ociosidade". A produção seria destruída e a segurança das famílias estaria ameaçada.
Veio a Abolição, o Apocalipse ficou para depois e o Brasil melhorou (ou será que alguém duvida?).
Passados dez anos do início do debate em torno das ações afirmativas e do recurso às cotas para facilitar o acesso dos negros às universidades públicas brasileiras, felizmente é possível conferir a consistência dos argumentos apresentados contra essa iniciativa.
De saída, veio a advertência de que as cotas exacerbariam a questão racial. Essa ameaça vai completar 18 anos e não se registraram casos significativos de exacerbação. Há cerca de 500 mandados de segurança no Judiciário, mas isso nada mais é que a livre disputa pelo direito.
Num curso paralelo veio a mandinga do não-vai-pegar. Hoje há em torno de 60 universidades públicas com sistemas de acesso orientados por cotas e nos últimos cinco anos já se diplomaram cerca de 10 mil jovens beneficiados pela iniciativa.
Havia outro argumento: sem preparo e sem recursos para se manter, os negros entrariam nas universidades, não conseguiriam acompanhar as aulas, desorganizariam os cursos e acabariam deixando as escolas.
Entre 2003 e 2007 a evasão entre os cotistas na Universidade Estadual do Rio de Janeiro foi de 13%. No universo dos não cotistas, esse índice foi de 17%.
Quanto ao aproveitamento, na Uerj, os estudantes que entraram pelas cotas em 2003 conseguiram um desempenho pouco superior aos demais. Na Federal da Bahia, em 2005, os cotistas conseguiram rendimento igual ou melhor que os não cotistas em 32 dos 57 cursos. Em 11 dos 18 cursos de maior concorrência, os cotistas desempenharam-se melhor em 61 % das áreas.
De todas as mandingas lançadas contra as cotas, a mais cruel foi a que levantou o perigo da discriminação, pelos colegas, contra os cotistas.
Caso de pura transferência de preconceito. Não há notícia de tensões nos campus. Mesmo assim, seria ingenuidade acreditar que os negros não receberam olhares atravessados. Tudo bem, mas entraram para as universidades sustentadas pelo dinheiro público.
Tanto Michelle Obama quanto Sonia Sotomayor, uma filha de imigrantes portorriquenhos nomeada para a Suprema Corte, lembram até hoje dos olhares atravessados que receberam ao entrar na Universidade de Princeton. Michelle tratou do assunto em seu trabalho de conclusão do curso. Ela não conseguiu a matrícula por conta de cotas, mas pela prática de ações afirmativas, iniciada em 1964. Logo na universidade onde, em 1939, Radcliffe Heermance, seu poderoso diretor de admissões de 1922 a 1950, disse a um estudante negro admitido acidentalmente que aquela escola não era lugar para ele, pois "um estudante de cor será mais feliz num ambiente com outros de sua raça". Na carta em que escreveu isso, o doutor explicou que nem ele nem a universidade eram racistas.

Sou só eu?

Me revolta a história do menininho que tá sendo criado pelo padrasto aqui no Brasil e a justiça vai ter que decidir se o pai dele, norte-americano, tem ou não o direito de criar o filho nos EUA.

Juro que nem entendo a disputa. Só porque o menino é brasileiro então o pai perde todos os direitos sobre ele?

Seguindo essa lógica, já que meu namorado é argentino, se nós temos um filho, eu venho pro Brasil com a criança sem dizer que não volto pra Argentina (o que eu já considero seqüestro), eu morro, então o meu filho é criado pelo padrasto???? Como???

É completamente contraditório o que a justiça brasileira está fazendo. Há pouco tempo definiu-se pela gurada compartilhada em casos de divórcio, exatamente pelo direito do pai, e agora vem com esse argumento nacionalista? Patético.