sábado, 26 de setembro de 2009

Quando a vida imita a arte...

Começou o Festival do Rio. Dias de loucura e fanáticos fechados nas salas de cinema. Por acaso todos os filmes que comprei ingresso são falados em espanhol, e se não fosse pelo Almodóvar, seriam todos argentinos. Freud explica...

Mas quero falar do filme que fui ver hoje, conselho da mamy, "Lluvia". Um filme argentino, que se passa em Buenos Aires, com a seguinte sinopse no festival:

Buenos Aires está debaixo de chuva há três dias. Após ter abandonado o homem com quem viveu por nove anos, Alma está morando temporariamente em seu carro. Presa na tempestade, se sente solitária e insegura. Roberto, de volta ao país após 30 anos, também se sente solitário; tudo o que tem na Argentina é um pai em coma, com quem nunca se relacionou, e um apartamento que precisa ser esvaziado. No meio do trânsito, a porta do carro de Alma abre inesperadamente, e Roberto entra. Ela, mesmo sem conhecê-lo, deixa que entre, e o encontro muda o curso de suas vidas nos dias seguintes.

Eu nunca tinha me identificado tanto com a situação de um personagem como aconteceu hoje. Tive uma semana de cão. Nada de grave aconteceu, diriam os demais, mas pra mim, sim: chuva. Chuva forte, daquelas que nem adianta usar o guarda-chuva, com muito vento. Desde segunda-feira. E segunda-feira eu, por razões que não vou explicar agora, estava de chinelo e bermuda. E fui pra Niterói. E depois pro centro da cidade. Cheguei em casa absurdamente molhada, com meu material igualmente ensopado.

Quinta-feira, tudo de novo. E parecia que não tinha fim. Que era uma piada de alguém, que era meu drama pessoal.

Hoje já saí de casa preparada pro dilúvio, e também preparada pra voltar de mau humor. Tinha que ir ao centro e depois na PUC que, pra quem conhece o Rio, sabe que é um lugar horroso pra chegar, com muito trânsito.

Aí resolvi seguir o conselho da mamy e fui ao cinema. E lá vivi profundamente as angústidas da Alma, em seus 3 dias de chuva interminável em Buenos Aires, morando no seu carro. Cada vez que ela saía e se molhava toda, eu sentia um arrepio e uma tremenda compaixão, queria gritar no cinema "Eu te entendo!". Não, não gritei. Mas não fiquei quieta na cadeira, o senhor perto dava aqueles olhares de reprovação, mas era mais forte que eu. Estava angustiada, sentia que era a minha semana punk que passava na tela.

Não vou dizer que saí do cinema feliz, até porque estou em uma fase reclamona. Mas pelo menos me senti menos injustiçada com tanta chuva, pelo menos não choveu o resto do dia e pelo menos não cheguei em casa de mau-humor. Sorte da minha mãe.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

De mãos atadas...

É tão ruim quando temos um problema, sabemos como solucioná-lo, mas não podemos. E aí, fazer o que, então?

Queria voltar naquele tempo que a gente deitava à noite, juntinhos, e ficava só dividindo sonhos, que pareciam tão impossíveis. Eles reais não tem aquele gosto que a gente esperava. E aquela realidade, que parecia tão pequena, e era vista só como uma etapa, agora tornou-se o sonho, e parece ser o único lugar onde o mundo faz sentido. Ou melhor, onde ele não faz sentido algum. E por isso é o lugar em que quermos estar.

Repito como a saudade é uma merda.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Só pensando...

Ontem na minha aula da pós tive mais um momento de crise: vários jovens da minha idade que ainda tem uma visão super limitada de Internet e seus afins.

Pra quem não sabe, eu sou historiadora. E sim, eu adoro seriados dos EUA, filme pastelão, música pop, Harry Potter, e web 2.0 de todo o tipo (facebook, twitter, orkut, blog, tudo que a Internet me permite!). Tenho esse lado da comunicação social bem forte, afinal, quase foi a minha opção profissional.

E, juro, não vejo nenhuma contradição nisso. Pros que perguntam se eu adoro o History Channel e eu respondo que não, que vejo seriados sempre que ligo a TV, tento explicar educadamente: eu já me dedico à História -e ainda estudo governos autoritários, tema pesado, escuto testemunhos de tortura e por aí vai-, quando eu quero RELAXAR, vou assistir besteiras. Ninguém pode ser 100% alguma coisa, isso inclui não ser 100% histriadora, como ninguém é 100% médico, economista etc.

Ou seja, a decepção é essa: sou uma pessoa normal. Bebo, vou ao Maracanã, faço compras, escuto música sem ser MPB da década de 1960, vejo comédias românticas. Sou uma mulherzinha como a maioria das outras.

Tive a sorte de conseguir uma orientadora que tem o mesmo estilo. Conversamos sobre Grey's Anatomy, sobre compras, discutimos futebol. E, quando é hora de trabalhar, trabalhamos. E ponto, como todos os demais mortais.

Espero ter destruído o mito. Seus professores são, normalmente, tão normais como você. E digo normalmente porque eu ainda vejo pessoas com uma cabeça tão limitada que acham que ter esse lado "normal" é incompatível com esse tipo de profissão. Ou seja, pra eles historiador é aquele que anda largado, mal toma banho, não vê TV, só escuta música brasileira alternativa, e todos os outrs clichês que conhecemos.

Sabe o que eu acho mais legal? Quando eu vejo um "ídolo" desse povo que leva a vida no meu estilo, como Chico Buarque. Que é alternativo, cabeça aberta e de esuqerda no Leblon e em Paris. Por isso que eu te amo, Chico!

domingo, 13 de setembro de 2009

Quando a gente não pertence...

Voltei de mais uns dias em Lima. Fui outra vez atrás dele. Ia pra SP, mas terminei voltando pra Lima. Duas semanas de rotina, na medida do possível: num hotel e com ele doente. Mas foram 2 semanas tão felizes como eu não tinha há tanto tempo... Parece que voltei à fevereiro de 2008, antes do mundo ficar ao contrário. E como diz a música, ninguém reparou. Só a gente.

Saudade pode ser ruim demais.