terça-feira, 15 de setembro de 2009

Só pensando...

Ontem na minha aula da pós tive mais um momento de crise: vários jovens da minha idade que ainda tem uma visão super limitada de Internet e seus afins.

Pra quem não sabe, eu sou historiadora. E sim, eu adoro seriados dos EUA, filme pastelão, música pop, Harry Potter, e web 2.0 de todo o tipo (facebook, twitter, orkut, blog, tudo que a Internet me permite!). Tenho esse lado da comunicação social bem forte, afinal, quase foi a minha opção profissional.

E, juro, não vejo nenhuma contradição nisso. Pros que perguntam se eu adoro o History Channel e eu respondo que não, que vejo seriados sempre que ligo a TV, tento explicar educadamente: eu já me dedico à História -e ainda estudo governos autoritários, tema pesado, escuto testemunhos de tortura e por aí vai-, quando eu quero RELAXAR, vou assistir besteiras. Ninguém pode ser 100% alguma coisa, isso inclui não ser 100% histriadora, como ninguém é 100% médico, economista etc.

Ou seja, a decepção é essa: sou uma pessoa normal. Bebo, vou ao Maracanã, faço compras, escuto música sem ser MPB da década de 1960, vejo comédias românticas. Sou uma mulherzinha como a maioria das outras.

Tive a sorte de conseguir uma orientadora que tem o mesmo estilo. Conversamos sobre Grey's Anatomy, sobre compras, discutimos futebol. E, quando é hora de trabalhar, trabalhamos. E ponto, como todos os demais mortais.

Espero ter destruído o mito. Seus professores são, normalmente, tão normais como você. E digo normalmente porque eu ainda vejo pessoas com uma cabeça tão limitada que acham que ter esse lado "normal" é incompatível com esse tipo de profissão. Ou seja, pra eles historiador é aquele que anda largado, mal toma banho, não vê TV, só escuta música brasileira alternativa, e todos os outrs clichês que conhecemos.

Sabe o que eu acho mais legal? Quando eu vejo um "ídolo" desse povo que leva a vida no meu estilo, como Chico Buarque. Que é alternativo, cabeça aberta e de esuqerda no Leblon e em Paris. Por isso que eu te amo, Chico!

Um comentário:

MARA REGINA disse...

Maninha, esse tipo de preconceito existe, acredito eu, em todas as profissões.
As pessoas esquecem que, somos humanos antes de sermos profissionais, e como tais temos gostos e predileções próprios. Além desse preconceito, na minha profissão, médica para quem não sabe, ainda existe o questionamento de ficarmos doentes: Como? Médico doente? É..., somos "mortais", e como somos!!!!