sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Vous voulez étudier avec moi?


Acho que não contei, mas a nova razão da minha vida é aprender francês. Mas tipo, aprender MESMO, pra fazer uma daquelas provas de nivelamento e tudo. Como alguns sabem, o francês é um dos grandes traumas da minha vida. No colégio fiz 3 anos. Acho que não aprendi nem a dizer que não sei falar francês, a coisa básica que todo mundo aprende de sacanagem. E olha, eu só tirava notão. A equação nunca foi resolvida...

Aí na faculdade resolvi tentar de novo. Outra crise existencial. E fui fazer espanhol. Me disseram que o problema é que eu estudava francês sábado de manhã. Nem era, o espanhol era no mesmo horário e eu adorava!

O espanhol rendeu frutos, cheguei em Buenos Aires. E decidida que era hora de recomeçar a vida e blá-blá-blá, lá fui eu tentar o francês. Fiz 2 semestres intensivos dessa vez. Outro erro: eu só falava espanhol em sala, e desse vez todos me defendiam, afirmando que era muito cedo pra misturar 2 idiomas assim. Adorei a desculpa e aceitei na hora. Estávamos em 2005.

Em 2009 comecei o doutorado. E, por interesses acadêmicos, o francê tornou-se fundamental. E lá fui eu de novo. Claro, outro drama. E a desculpa pra largar no primeiro semestre de 2009 foi uma super viagem para o Perú. Mas no segundo semestre lá tava eu de volta, com professor particular, que era pra coisa ficar séria! E os deuses francófonos, talvez ofendidos, resolveram me boicotar: minha amiga que estudava comigo arrumou uma relação meio freak com o professor e acabamos ficando sem aula. Aí meio que me irritei. Saí estudando sozinha!

Peguei aquele monte de material que juntei nesse tempo todo (Mais de 10 anos!) e resolvi que era hora de superar esse trauma. Fui estudando até conseguir uma professora nova, nesse período aqui em Buenos Aires. E minha salvadora apareceu em junho deste ano. E desde então, não paro: agora são 4h semanais só pra mim, e em outubro serão 6h! Parece pouco? na Aliança Francesa o curso é de 3h semanais, você mais uns 10 manés que só sabem fazer piada sem graça com a música de Moulain Rouge.

Bom, aí nessa vibe toda de aprender a língua do amor, minha professora me recomendou escutar rádios online. E coitado do argentino novio/marido! É o dia todo com discussões e mais discussões filosóficas, que ele nem entende! Além de ser uma rádio internacional de notícias, dos franceses realmente darem palpite em tudo, tem ainda a questão do fuso horário: 5h a mais por lá. Ou seja, vira e mexe tô eu escutando aqueles programas bizarros das madrugadas. Tem horas que toca música, mas é bem pouco. E ele ainda tem que aguentar meus resumos de notícias: a temperatura no país, que há uma epidemia de dengue na França. Outro dia contei alguma coisa e ele perguntou "E aí, o que eles falaram?", todo interessado. Ri e falei com toda a minha sinceridade: "Não sei, não entendi nada depois".

E ontem os deuses francófonos resolveram novamente debochar de mim. Liguei a rádio e lá estava um autor comentando seu livro. Tema: Brasil. Pois é. O cara falava de feijoada, e a repórter impressionada em saber que no Brasil é super comum ir ao trabalho de helicóptero! E a cada 5min de conversa... uma música esteriótipo brasileira. Até tentei aguentar, mas quando começou aquela praga dos Tribalistas com "Você é assim, um sonho pra mim", desliguei. Entendi a mensagem dos deuses e dei um tempo na neurose francesa. Fui ver Lost.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

O estranho mundo do amor


Não, não farei um post meloso sobre meu namorado, nem sobre histórias de amor. Mas, pros que se interessam, recomendo o Túlio, que tá craque nisso (sem ironias!).

Quero falar aqui de outro amor: o que eu sinto pela minha máquina de lavar roupas. Sim, por esse eletrodoméstico hoje ESSENCIAL na minha vida.

Pra quem sempre teve uma, ou pros que sempre tem a roupa linda, lavada e passada sem questionar como isso acontece, esse é um amor ridículo.

Mas se você é como eu, e por quase 4 anos da sua vida foi refém de lavanderia... entende minha paixão.

Tudo começou em 2005, quando me aventurei em um novo país e fui morar em uma residência estudantil. Eu tinha aquela visão romântica de seriado americano, de levar a roupa na lavanderia, fazer amizades, e até tinha a esperança de ou sentar em um carrinho brigando pelo que é meu (como a Rachel em Friends) ou quem sabe, encontrar o amor da minha vida. O fato é que eu achava lindo ter que juntar as moedinhas, descer com o cesto cheio e esperar pra trocar da máquina de lavar pra de passar. Até que vivi essa experiência: nada de belo. Pior, além de ser um saco, de você ficar sem moedas (o que na Argentina é o CAOS), ainda descobri da pior maneira que secadora destrói e encolhe roupas!

Depois comecei a levar a roupa da lavanderia, quando já não morava na residência. A coisa só piorou: somei ao drama o sabão em pó ruim, a roupa misturada, o amaciante que é esfoliante e o drama das roupas perdidas. Até roupa de cama encolheu.

Nesses 4 anos perdi roupas, outras muitas se estragaram, e por um tempo quase sumi tentando emagrecer pra entrar naquelas que encolhiam.

Pois é, por isso que hoje que eu tenho minha querida, fico toda feliz. Que alegria escutar aquele motor escandaloso, quase decolando! Minha roupa macia, branquinha, ou com as cores gritantes, linda.

Sim, eu amo (e muito) a minha máquina de lavar.

PS: Coisas inexplicáveis desse mundo: coloquei "máquina de lavar roupa" no google e apareceram várias fotos do vampiro de Crepúsculo.

domingo, 8 de agosto de 2010

Meio que tô de volta

Ultimamento sinto vontade de voltar a escrever aqui. Na verdade, tenho muitas idéias, e isso me faz querer escrever. Mas sou peguiçosa chego em casa e desisto logo (talvez, assim como a vontade, a inspiração é uma coisa que dá e passa).

Percebi que minha visão de muito está muito "blog". Eu vejo as coisas e penso em um post. Isso em uma época que eu praticamente não uso mais a ferramenta blog, o que é estranho. De qualquer forma, tentarei estar mais presente, e assim tranquilizar essa tal inpiração.

Nesse ritmo, uma música tem me acompanhado. Não, dos dias não tem sido necessariamente lindos como ela faz parecer. Mas ela me alegra. E isso é muito, muito bom. Nesse inverno em que o frio castiga Buenos Aires -e eu resolvo estar logo aqui, logo aqui!- faz bem escutar músicas alegres e felizes assim. Pra lembrar que a vida é, sim, uma gracinha!

http://www.youtube.com/watch?v=sNxm43PwQBo

sexta-feira, 18 de junho de 2010


Hoje eu acordei exatamente 8h, com um mau humor maior que de costume. Mal cumprimentei Ale, fui direto arrumar a cozinha. Não queria beijo de bom dia, nem abraço, nada. Acordei sentindo que hoje era um dia pra continuar dormindo, um dia de merda. Tempo estranho em Buenos Aires, frio. Mas por alguma razão, especialmente mais frio hoje. Não para os termômetros, mas para mim.

Sentei em frente ao computador e fiz o de sempre: li os jornais do Brasil e da Argentina e tomei meu café com leite, vi as novidades do twitter e do facebook. Antes das 9h já estava com a cabeça em mais uma tradução que tenho que entregar, o prazo está acabando, o dia está feio, e hoje a vida me parece um saco.

Faço uma pausa. Vou ver se as pessoas já chegaram aos seus trabalhos, ou seja, as novidades do Twitter. E me deparo com o post do Vinícius Cunha: “A lucidez com que Saramago, ateu confesso, falava sobre a morte me deixa bem tranquilo nesse momento. Minha homenagem”. O verbo estava no passado. “Falava”. José Saramago falava. José Saramago morreu?

Abro a Folha de São Paulo. Notícia de último momento, em destaque: “Morre o escritor José Saramago”. Era verdade.

Meu dia realmente seria uma merda. Aquela sensação de quando acordei às 8hs, 13h na Espanha, exatamente a mesma hora em que Saramago morreu, tinha uma explicação.

Alguns vão dizer que é coisa inexplicável, religião, etc. Como o próprio Saramago, sou atéia convicta, e a coisas pra mim sempre possuem uma explicação ou são inexplicáveis, simples assim. E eu posso viver com isso sem problemas.

Então, se para alguns isso tem alguma explicação sobrenatural, eu acho que isso é literatura. Assim, bem simples, eu acho que como num belo romance, acordei hoje achando que meu dia era uma merda. E em poucas horas senti a tristeza estranha de quando perdemos alguém que sequer conhecíamos.

Há mais de 6 meses não escrevo aqui. Pura falta de vontade, achei que não tinha mais sentido. Hoje, no meu péssimo dia, encontrei sentido na literatura: desabafo.


PS: Pra comprovar que hoje é um dia inacreditável... a Sérvia acabou de vencer a Alemanha.